Estela ficou sem entender.
Ao ver Lucas entrar no banco do motorista, ela pensou por um instante e, em vez de abrir a porta do passageiro da frente, abriu a de trás e entrou, sentando-se em silêncio.
Ela quase nunca tinha oportunidade de andar no carro de Lucas.
Mas houve uma vez em que abriu a porta do banco da frente e se sentou. Só então percebeu um adesivo colado no painel diante do assento, com a frase:
"Assento exclusivo da Jéssica. Não sentar."
Estela não sabia se tinha sido ele ou Jéssica quem colara aquilo.
Mas, se estava ali, era porque Lucas tinha permitido.
O banco do passageiro era reservado para Jéssica.
Até ela, que era a esposa, era considerada alguém de fora.
Ao vê-la sentada atrás, Lucas virou a cabeça e olhou para ela, mas não comentou nada.
— Coloca o cinto.
Em seguida, deu partida no carro.
Durante todo o trajeto, Lucas não falou. Estela também não sabia o que dizer.
O carro seguiu em silêncio.
Cerca de quinze minutos depois, o veículo parou diante de um parque de diversões.
Lucas desceu.
Estela, confusa, também saiu.
— O que a gente veio fazer aqui? — Perguntou.
Lucas respondeu de forma direta:
— Brincar.
Estela ficou sem reação.
Lucas continuou:
— Eu me lembro que você disse antes que queria conhecer o parque de diversões à noite. Hoje eu vou ficar com você aqui, para você aproveitar o quanto quiser.
Só então Estela percebeu que os brinquedos ainda estavam funcionando.
A roda-gigante, que já deveria ter parado, ainda girava devagar sob o céu escuro, iluminada, brilhante e solitária.
Era o maior parque da Cidade N. Durante o dia, vivia lotado. Uma vez, quando veio com Helena, ficaram três horas na fila.
— Pode ser. — Respondeu ele.
Com essa resposta, Estela não hesitou mais. Entrou pelo portão do parque.
Sem precisar enfrentar filas, ela foi de brinquedo em brinquedo. Em menos de uma hora, já tinha experimentado quase metade.
Do carrossel que as crianças adoram, à roda-gigante preferida dos casais, até a montanha-russa mais radical.
Ela não foi sozinha. Puxou Lucas para ir junto.
Mas Lucas tinha um pouco de medo de altura. Quando desceu da roda-gigante, o rosto estava pálido.
Na hora de encarar a montanha-russa, ele se recusou de qualquer jeito.
Estela não insistiu. Sentou-se sozinha, deixando que o funcionário prendesse os equipamentos de segurança.
Pouco depois, a montanha-russa começou a se mover.
Lucas ficou do lado de fora da grade, observando a silhueta dela no carrinho, ouvindo a risada dela ecoar.
Por um instante, ficou distraído.
Fazia muito tempo que ele não ouvia Estela rir daquele jeito.
E, ao perceber que ela estava feliz, sentiu que o próprio humor também melhorava.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O Dia em que Ele Aprende a Te Perder
Que estranho, findaram o romance sem concluir o enredo, na verdade, simplesmente não deram continuidade, deixando várias situações sem desfecho...
N chega ao fim estes romances? Acaba se tornando maçante....