Gente do mesmo tipo acaba andando junto.
Um vaso vazio e um copo não ficam juntos sobre a mesa de jantar.
Com base no algoritmo original, Estela acrescentou a ideia de dividir por áreas.
Só já de madrugada, depois de importar o novo algoritmo para o braço mecânico e testar mais duas vezes, ela constatou que, comparado ao início, a taxa de acerto realmente tinha aumentado bastante.
Ainda assim, precisava melhorar.
Não se resolve tudo de uma vez. Também não dava para ter pressa.
Estela massageou o ombro dolorido, organizou o que tinha usado no laboratório e voltou para a área dos escritórios.
As flores que Rafael tinha mandado naquele dia, como todo mundo tinha gostado, ela acabou dividindo. Vendo que ainda restava uma pequena parte, foi até o depósito, pegou um vaso e decidiu colocar as flores sobre a mesa.
Ela tinha estudado arranjos florais por um tempo e gostava dessas coisas que agradam aos olhos.
— Você ainda não foi embora?
Nesse momento, a voz de Evandro veio atrás dela.
Estela se virou, surpresa ao vê-lo ali.
— Você ainda está aqui?
Evandro não respondeu. O olhar dele pousou no vaso ao lado da mão dela, depois nas rosas. A voz saiu um pouco áspera.
— São bonitas.
— Foi um presente. — Disse Estela.
Evandro ficou em silêncio.
A empresa inteira já estava comentando que o namorado dela tinha mandado flores, além de um conjunto completo de joias, e que ela tinha aceitado.
Ontem ele tinha se encontrado com Lucas e tinha visto com os próprios olhos a postura de Estela.
Ele acreditava que ela não voltaria atrás.
Mas, ao vê-la de bom humor diante das flores, ainda assim sentiu o coração inquieto.
— Já terminei aqui. Vamos embora juntos? — Perguntou Estela, depois de encaixar a última flor.
O semblante dela estava leve e tranquilo.
Como se aquelas flores fossem apenas flores, sem significado extra.
Evandro achou que provavelmente estava pensando demais.
Ele afastou aquela ideia.
— Vamos.
Estela voltou para o condomínio no carro de Evandro. Conversavam sobre trabalho enquanto caminhavam para dentro do prédio. Quando ela estava prestes a entrar, ouviu a voz de Lucas.
— Estela!
— Não percebeu? Ou foi de propósito?
Ele sentiu o cheiro do perfume nela.
Era perfume masculino.
O perfume de Evandro?
Se não tivesse ficado muito tempo num espaço fechado com alguém, o cheiro não grudaria assim.
Então, nas horas em que não atendeu o telefone, ela esteve o tempo todo com Evandro?
Lucas riu de raiva.
Ele tinha separado tempo naquele dia, ficou esperando ali por duas ou três horas, e ela estava em encontro com outro homem?
Lucas não conseguiu se conter e questionou:
— Você faz ideia de quanto tempo eu fiquei aqui te esperando?
Estela achou estranho.
— Então você ficou me esperando. Mas para quê?
Os lábios finos de Lucas se entreabriram. Parecia que ia dizer algo. Eles se moveram, mas no fim ele apenas os pressionou e se virou.
— Entra no carro.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O Dia em que Ele Aprende a Te Perder
Que estranho, findaram o romance sem concluir o enredo, na verdade, simplesmente não deram continuidade, deixando várias situações sem desfecho...
N chega ao fim estes romances? Acaba se tornando maçante....