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O Dia em que Ele Aprende a Te Perder romance Capítulo 120

Lucas ficou chocado, sem entender.

Como ela podia estar tão calma?

A inquietação dentro dele voltou a crescer.

Ele nunca gostou de ver alguém em estado lamentável. Mas, naquele momento, preferia que Estela estivesse descontrolada, chorando.

Mesmo que ela o acusasse sem pensar, mesmo que brigasse com ele aos gritos, aquilo talvez o deixasse menos sufocado do que aquele silêncio.

Mas ela estava serena. Nos olhos dela, até a dor parecia distante.

Lucas sentiu o peito apertado, como se algo estivesse preso ali. Não conseguia engolir, nem expelir.

Depois de um longo silêncio, a voz saiu rouca:

— Como a criança morreu?

— Acidente de carro. Aborto. — Estela respondeu de forma direta.

— Por que você não me contou? — Lucas a encarou, os olhos avermelhados.

Estela ficou surpresa por um instante.

Ele estava sofrendo?

Logo em seguida, entendeu.

A criança também era filha dele. Era natural que doesse.

Mas isso não mudava nada.

Estela olhou para ele:

— Isso importa? A criança já morreu. O que vai mudar agora ficar investigando isso?

Ao ouvir o tom leve dela, Lucas ficou ainda mais irritado.

Ela engravidou dele sem que ele soubesse.

A criança morreu, e ele não sabia de nada.

O que ele era para ela?

Lucas não aguentou mais. Avançou até ela e segurou os ombros dela com força:

— Estela, não esqueça. Eu sou seu marido. E sou o pai da criança. Eu tenho o direito de saber.

Estela sentiu o cheiro de álcool nele e percebeu que ele tinha bebido.

A força das mãos dele era tanta que parecia esmagar os ossos dela. Estela empurrou a mão dele, tentando se soltar.

Mas, quando se moveu, ele apertou ainda mais.

Vendo que ela não respondeu, Lucas tomou o silêncio como confirmação.

Nos últimos tempos, ele realmente tinha se dedicado a cuidar de Jéssica e deixado Estela de lado.

Dentro dele havia um misto de sentimentos. Mas olhando para o rosto de Estela, depois de um tempo, ele ainda não conseguiu dizer a palavra desculpa.

Após alguns segundos, disse com frieza:

— Volte para casa. Eu permito que você me dê outro filho.

Estela olhou para ele dizendo aquilo com seriedade, como se fosse uma concessão.

Ela apenas riu.

Para ela, perder aquela criança tinha sido como perder metade da própria vida.

Para ele, tinha sido apenas perder um filho.

Se esse morreu, viria outro.

A dor dele duraria um ou dois dias, talvez três. Quando o próximo filho nascesse, ele logo esqueceria aquele que já tinha morrido.

Mas, para ela, a morte daquela criança seria uma marca para a vida inteira.

— Não é preciso. — Estela olhou para o rosto dele e disse com firmeza. — Lucas, eu nunca mais vou ter um filho seu.

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