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O Dia em que Ele Aprende a Te Perder romance Capítulo 109

— Você não encontrou registro de parto porque essa criança morreu antes mesmo de nascer. — Estela continuou, num tom baixo.

Lucas ficou parado.

Logo depois, ao ver o rosto dela tranquilo, sem traço algum de dor, pareceu entender algo e soltou um riso curto.

— Estela, você está mentindo para mim, não está?

Nenhuma mãe, depois de perder um filho, ficaria tão indiferente assim.

E ele conhecia Estela.

Ela sempre quis a atenção dele. Se realmente tivesse perdido um filho, teria usado isso para se fazer de vítima, teria chorado na frente dele até perder a voz.

Uma vez ela tinha resgatado um gato de rua. Quando o animal morreu mesmo depois da tentativa de salvá-lo, ela chegou a ligar para ele, que estava no exterior, e chorou sem conseguir falar.

Agora o filho morreu e ela não diz nada?

Estela viu claramente a desconfiança nos olhos dele.

Talvez porque já estivesse preparada, ao ouvir a suspeita dele, não sentiu decepção nem tristeza.

Ela soltou um riso irônico, não disse mais nada e se virou para sair.

Lucas deu dois passos rápidos e bloqueou o caminho.

— Estela, para de jogar mistério aqui e me diz, essa criança afinal...

Ele não terminou.

O toque do celular dele soou.

Lucas pegou o telefone.

Na tela, o nome de Jéssica piscava com clareza.

Estela também viu. Achou que ele atenderia e, sem dizer nada, tentou contorná-lo.

Mas, para surpresa dela, ele franziu a testa e recusou a chamada. Tornou a ficar na frente dela.

— Onde está a criança?

O fato de que a criança existia já estava confirmado. Lucas não a pressionou de imediato.

Ia dizer algo, quando o celular voltou a tocar.

Jéssica ligava novamente. Dessa vez ele atendeu.

Assim que a chamada foi conectada, a voz dela veio com choro contido:

— Lucas, acabou a luz na mansão. Está tudo escuro. Eu estou com medo. O que eu faço?

O tom de Lucas já não era tão frio quanto antes, havia ficado mais suave:

— Deve ser problema na fiação. Embaixo do móvel da televisão, na sala, tem uma lanterna. Pega e usa por enquanto. Eu vou mandar alguém aí.

A voz dela tremia.

— Tá bom, eu vou pegar.

Ouviu-se um leve barulho do outro lado da linha, como se Jéssica estivesse caminhando em direção à sala.

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