Mas agora, quando Lucas voltou a mencionar aquele nome, a dor de quando aquela pequena vida foi arrancada de dentro dela pareceu invadir tudo outra vez, num instante.
Ela teve dificuldade para respirar. O rosto perdeu a cor.
A reação dela caiu clara nos olhos de Lucas.
Ele ergueu levemente a sobrancelha.
Como imaginava.
Ela realmente tinha dado à luz o filho dele.
E tinha escondido de propósito.
O rosto dele ficou frio.
— Estela, a sua coragem está ficando cada vez maior. Você teve a ousadia de esconder uma coisa dessas de mim.
Ela fez uma pequena pausa antes de responder:
— Eu não pretendia esconder.
Só que a criança já não existia mais. E ele estava prestes a se divorciar. Ela achou que não havia necessidade de tocar nesse assunto.
Lucas soltou um riso de deboche.
— E adianta dizer isso agora? Você acha que eu vou acreditar?
Estela não respondeu.
Lucas nunca acreditou nela.
Mas agora, sinceramente, tanto fazia se ele acreditava ou não.
Ao vê-la em silêncio, ele interpretou aquilo como culpa.
Soltou um riso frio. Como ela não estava reagindo, também não quis prolongar aquilo. Perguntou com voz gelada:
— Onde está a criança?
Ela parou por um segundo, achando que tinha ouvido errado.
— O quê?
— Onde você escondeu o meu filho? — Ele repetiu.
Só então Estela entendeu.
Ele ainda não sabia que a criança tinha sido perdida?
Então como sabia da existência do filho? Como sabia que ela tinha dado o nome de Esperança?
Mas quando sofreu o acidente e perdeu o bebê, foi justamente no hospital onde Lírio trabalhava.
Mesmo que outros não soubessem, Lírio deveria ter visto o registro do aborto espontâneo.
Será que ele não tinha contado?
Vendo que ela ainda não tinha a intenção de falar, Lucas perdeu a paciência:
— Eu sei do que você tem medo. Posso prometer. Se você disser agora onde está a criança, eu não vou te punir.
— Me diz. Onde está o meu filho?
Vendo a urgência no rosto dele, Estela entendeu que, se não dissesse, ele não deixaria aquilo acabar.
Ela deu o endereço do cemitério.
— Cemitério? — Lucas pegou o celular, pesquisou e franziu ainda mais a testa. — Estela, você está brincando comigo?
Perto do cemitério não havia condomínio, nem lugar para morar.
Ela balançou a cabeça.
— Não.
— A criança morreu.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O Dia em que Ele Aprende a Te Perder
Que estranho, findaram o romance sem concluir o enredo, na verdade, simplesmente não deram continuidade, deixando várias situações sem desfecho...
N chega ao fim estes romances? Acaba se tornando maçante....