Alice
O despertador tocou às cinco da manhã, mas eu já estava acordada. Na verdade, mal tenho dormido. A pressão da casa dos meus tios apertava mais do que o colchão fino onde eu passo as noites.O quarto pequeno, com uma janela emperrada e paredes úmidas, era o único lugar onde eu conseguia imaginar um futuro. Um futuro que parecia longe demais.
Vesti minha camisa simples, ajeitei o cabelo preso e guardei o caderno dentro da mochila rasgada. Às vezes, sinto vergonha dela… mas era tudo que eu tinha. E era suficiente para carregar meus sonhos.Lá fora, o morro começava a acordar. O som dos rádios, das vozes, dos passos apressados. O cheiro de café forte misturado ao de pão na chapa. A Rocinha tinha vida própria.
— Anda, Alice! — a voz da tia Lenice ecoou pela casa. — Vai perder o ônibus e depois fica chorando!
Eu engoliu seco.Não discutia. Nunca adiantava.
Desci as escadas rápido, peguei um pedaço de pão e sai antes que a tia inventasse outra crítica. Caminhei pelo beco apertado até a viela principal, onde os comerciantes montavam barracas e os mototaxistas gritavam seus destinos.
Enquanto andava, repetia mentalmente:
Eu vou conseguir. Eu vou sair daqui.
Chego ao ponto de ónibus e ele vem lotado ,como sempre respiro fundo quando sou prensada mais uma vez não sei como consigo respirar,fecho meus olhos e lembro da voz dos meus pais dizendo Alice estude só assim você podera mudar sua vida ,é nisso que me apego nas lembranças dos meus pais e é por isso que estou enfrentando essa rotina todos os dias ,estou no 4° semestre da faculdade de pedagogia sei que não vou conseguir mudar o mundo mas se conseguir alcançar algumas crianças ja ficarei feliz .
Nascida e criada na favela da Rocinha no Rio de Janeiro é a maior e uma das mais conhecidas favelas do Rio de Janeiro, localizada na Zona Sul, entre os bairros nobres da Gávea e São Conrado lá eu conheci a maior dor da minha vida , a perca dos meus pais em mais uma operação contra o tráfico as balas perdidas encontraram meus pais por isso eu odeio o tráfico com todo o meu ser ,esse mundo de violência de balas perdidas onde os mocinhos se perdem e os vilões ficam ,essa é a beleza que os turistas não vêm ,ah se eles tivesem noção de como esse mundo é duro e cruel ,uma lágrima escore em meu rosto seco rápido não quero chorar no meio desse povo e amassada ainda por cima.
Alice-Não Caio tranquilo,ele é um moreno com os olhos cor de mel com um sorriso perfeito fico hipnotizada olhando pra ele ,mano que cara lindo me recomponho e paro de olhar que nem uma palhaça,estou indo para sala você não vai ?
Caio-vou sim ,é que esqueci meu trabalho no carro ,espero que você esteja bem me desculpe novamente.
Alice -estou bem ,vai lá a gente se vê na sala ,sigo meu caminho e ele ficou me olhando diferente dessa vez,dois anos estudando com ele e ele nunca me deu uma brecha é sempre educado com todos prestativo também ,já vi ele com uma moça muito bonita daqui da faculdade a Alessandra eu não chego nem aos pés dela ,sou uma bolsista favelada ,não sou nenhuma menininha besta já fiquei com uns caras daqui da faculdade mas nada sério.
Chego na sala de aula e me acomodo no meu lugar de sempre, Sara me ignora mas sei que jajá ela fala comigo, sempre com chantagem pro meu lado.

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