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O CEO viúvo e o segredo da babá romance Capítulo 5

Lizandra

A água estava gelada, mas eu já nem sentia de verdade. Meu corpo se movia sozinho. Abri os olhos embaixo d’água, o cloro ardendo, e tudo que eu enxerguei foi o borrão rosa afundando rápido demais.

“Rápido Lizandra!”

Dei impulso com as pernas, meus braços cortando a água enquanto o vestido colava no meu corpo e pesava, mas eu não parava. Cada segundo parecia um ano. Quando finalmente alcancei a pequena, meu coração quase saiu pela boca. Ela se debatia, os bracinhos agitando em desespero, os cabelos flutuando ao redor.

— Ei, ei… eu tô aqui — murmurei, mesmo sabendo que ela talvez nem me ouvisse.

Segurei firme seu corpinho e puxei-a para perto, erguendo-a com toda força para cima. O ar pareceu explodir quando rompemos a superfície. Ela tossia alto, arfava, chorava de susto, agarrando-se ao meu pescoço com tanta força que suas mãozinhas tremiam.

— Tudo bem… tudo bem, princesa — sussurrei, ofegante, tentando manter a calma por nós duas. — Fica comigo, tá? Respira… já passou.

Ela soluçou contra meu ombro, ainda trêmula. A segurei com mais firmeza, mantendo-a acima da água enquanto nadava de costas em direção à borda. Meus braços doendo, minhas pernas queimando, mas eu nem pensava nisso.

— Aguenta só mais um pouquinho… já estamos chegando… — falei, quase sem ar.

Quando meus dedos tocaram o mármore da borda da piscina, deixei escapar um suspiro de alívio. Apoiei a menina com cuidado, ajudando-a a subir primeiro.

— Calma, meu amor… você tá segura agora — prometi, mesmo com o coração batendo desesperado dentro do peito.

Só quando coloquei os pés pra fora e me levantei, ainda pingando, percebi que minhas mãos tremiam quase tanto quanto as dela. Mas a única coisa que importava era o fato de que ela estava ali, viva, agarrada à minha mão com força.

A menina chorava tão baixinho, tão partida, que meu coração parecia doer junto com o dela. Peguei-a no colo, apertando contra meu peito como se pudesse transferir segurança pelo toque.

— Shhh… já passou, meu amor… eu tô aqui… — murmurei, enquanto ela tremia sem controle.

Caminhei o mais rápido que pude para dentro da casa, minha roupa encharcada escorrendo água pelo chão. A cada passo eu gritava:

— Alguém! Por favor, ajuda! Socorro!

O eco da minha própria voz me assustava, mas eu não parava. Logo duas empregadas apareceram correndo pelo corredor, os olhos arregalados ao nos verem.

— Meu Deus! — uma delas exclamou. — O que aconteceu?!

Eu abri a boca para responder, mas… no meu desespero, só percebi naquele instante o rastro que eu deixava pelo piso impecável, completamente molhado. Nem pensei nisso. Só segurei a menina com mais força.

Então a governanta, Soraia, surgiu de repente com o rosto pálido de choque. E atrás dela, apressado, veio ele.

Fernando Albuquerque.

A figura dele preencheu o corredor inteiro, alto, imponente, tenso. Seus olhos azuis, antes frios durante a entrevista, agora estavam arregalados em puro desespero ao reconhecer quem eu carregava nos braços. Me fazendo compreender que a menininha era sua filha.

Eu tentei explicar, mesmo com a voz trêmula:

— Eu… eu me perdi no caminho de saída. Encontrei ela sozinha na beira da piscina… aconteceu muito rápido. Ela caiu e eu pulei.

Fernando avançou, estendendo os braços para pegar a filha, mas no instante em que tentou tocá-la, a menina se agarrou ainda mais a mim, enterrando o rosto encharcado no meu ombro, soluçando alto.

— Não… não, papai… — ela choramingou, apertando meus ombros com força.

Senti o ar rarear. Até Fernando congelou, o braço suspenso no ar, como se não soubesse o que fazer.

Ele olhou para mim. De verdade, dessa vez. Não como chefe avaliando a candidata. Mas como um pai prestes a desmoronar e abriu caminho entre os funcionários, e eu segui atrás dele, ainda com Lia grudada ao meu corpo, como se fosse parte de mim. Entramos numa sala ampla e elegante.

Uma das empregadas surgiu rápido com uma toalha. Peguei-a com as mãos trêmulas e envolvi o corpinho encharcado da menina, puxando-a para mais perto enquanto sussurrava:

— Prontinho, Lia. Tá tudo bem, meu amor… você está segura.

O nome dela pareceu acalmá-la um pouco. A tremedeira diminuía, mas seus bracinhos continuavam presos ao meu pescoço.

Minha voz saiu antes que eu conseguisse segurar:

— A… a mãe da Lia…? Ela não deveria ser avisada?

O silêncio que seguiu foi pesado. Fernando desviou o olhar, mas foi o bastante para provocar um arrepio desconfortável na minha nuca. Eu não deveria ter perguntado.

Todos permaneceram em silêncio. Um silêncio pesado, espesso e desconfortável. Minha pergunta tocou algo proibido.

Fernando voltou a me olhar com aquela intensidade fria e cortante. O mesmo olhar impenetrável da entrevista ressurgiu, varrendo todo o calor de segundos atrás.

— Você precisa se secar — ele disse por fim, a voz grave e firme, quase uma ordem.

Assenti automaticamente, o coração batendo descompassado. Ele voltou-se para uma das empregadas, a mesma que havia trazido a toalha.

— Acompanhe a senhorita. Dê-lhe algo para vestir. — Depois olhou para Soraia. — Soraia, venha. Vamos trocar a Lia.

A menina ainda soluçava baixinho no colo dele. Antes que seguissem, ele voltou seu olhar para mim.

— Assim que estiver seca… — sua voz ficou ainda mais profunda — vá até o meu escritório.

Um arrepio percorreu toda minha coluna. De repente, tudo dentro de mim gritava para fugir. Sair porta afora e nunca mais voltar. A vaga já parecia impossível mesmo. O constrangimento, enorme. E agora… agora eu teria que encarar aquele homem de novo?

Só queria encontrar minha bolsa e desaparecer. Mas não havia alternativa. Nem coragem de contestá-lo.

— S… sim, senhor.

Virei-me para seguir a empregada, mas podia sentir o olhar dele queimando minhas costas enquanto eu me afastava. E quanto mais eu caminhava, mais meu peito apertava com um único pensamento:

O que ele vai me dizer quando eu entrar naquele escritório?

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