(NARRATIVA DE ARIELLE)
Fiquei paralisada, minha mente ainda girando com a revelação de Jared.
— Quê? Jared Smith, o sempre imperturbável bilionário, de repente falido e sem teto? Isso não fazia sentido. Principalmente com a família influente dele no pano de fundo. Que tipo de jogo ele estava jogando desta vez?
A escova de dentes ainda pendia da minha boca. Então consegui recuperar a compostura e me virei para Maverick, que era jovem demais para ouvir as bobagens que Jared estava prestes a despejar.
— Ei, querido, porque você não apresenta seu novo cachorrinho ao Milo? Tenho certeza de que ele ficaria feliz em ter um irmãozinho canino. — Eu disse docemente.
O rosto de Maverick se iluminou. Sem dizer uma palavra, ele agarrou o cachorrinho inquieto e correu para dentro, me deixando a sós com Jared.
Assim que a porta se fechou, me virei novamente para Jared, com os braços cruzados.
— Pare com o teatro, Jared. O que está realmente acontecendo?
— Eu te disse a verdade. — Ele insistiu, com um tom irritantemente calmo. — Vendi minhas ações na Capitais J&S. Estou sem teto, Arielle.
Estudei sua expressão e falei com um tom firme:
— Jared, mesmo vendendo todas as suas empresas, isso não te deixaria sem teto da noite para o dia. — Firmei com segurança. — Você é um bilionário. Tem propriedades e recursos, e se tornar sem teto assim tão rápido simplesmente não faz sentido.
Jared se mexeu desconfortável, como quem foi pego em um ato errado. Seus olhos vagaram por todos os lados, evitando os meus.
— Tudo bem, vou explicar tudo. — Ele suspirou em resignação.
Fiquei atenta, com os braços ainda mais apertados, meus olhos fixos nele.
— Estou ouvindo.
Ele suspirou, passando a mão pelo cabelo desgrenhado.
— Não estou mentindo, Arielle. Bem, não estou mentindo sobre tudo... Vendi minhas ações. Mas não foi só por Maverick... foi para desmascarar um espião na minha empresa.
A escova de dentes escorregou da minha mão.
— Um espião?
— Sim. — Ele encontrou meu olhar, seu tom agora mortalmente sério. — Pense nisso. Como Denzel descobriu tão rápido que Maverick era meu filho? Alguém vazou essa informação. Eu precisava parecer fraco, vulnerável. É a única maneira de desmascará-los.
Engoli em seco, lembrando do sequestro de Maverick. A explicação parecia plausível, mas eu não estava disposta a baixar a guarda.
— Então você decidiu vir aqui? Para minha casa? Porquê? Deixe-me adivinhar, parte da estratégia?
— Eu não podia voltar para a casa da família. — Ele explicou. — Não quero que a vovó e mamãe fiquem preocupadas e me encham de perguntas. Isso me deixaria louco. E minha cobertura? Isso seria óbvio demais.
Levantei uma sobrancelha, ainda cética.
— E seus amigos? Seus colegas? Ou, eu não sei, qualquer uma das outras dezenas de propriedades que você possui?
— Eu admito... Arielle, eu tenho meus motivos. Quero assumir responsabilidade de verdade por Maverick, por nós. Sei que deveria ter contado antes, mas se você me odiar por isso... se achar que estou ultrapassando os limites. — Sua voz falhou antes de se firmar. — Por favor, não deixe isso afetar Maverick. Isso também é sobre ele.
Houve um breve silêncio enquanto eu processava tudo o que havia ouvido. Por mais que tentasse, uma parte de mim ainda não acreditava. O Jared Smith todo poderoso e meticuloso que eu conhecia nunca se deixaria reduzir a isso. Mas a menção à segurança de Maverick e a lembrança do sequestro dele atravessaram meu ceticismo.
Ainda assim, havia uma verdade inegável: sua presença aqui transformaria minha vida pacífica em um circo. E minha mãe? Provavelmente o caçaria como a um vampiro antes que ele passasse a primeira noite.
— Desculpe. — Disse finalmente, balançando a cabeça. — Não posso te acomodar.
Sua expressão caiu, com a dor transparecendo.
— Então você vai me deixar dormir na rua?
Suas palavras tocaram algo em mim, mas me mantive firme.

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