(NARRATIVA DE ARIELLE)
A curiosidade de Maverick parecia não ter limites, e Jared respondia a cada uma de suas perguntas com uma paciência que, de algum modo, me irritava e me intrigava ao mesmo tempo. Até que Maverick soltou uma bomba.
— Papai, você vai passar a noite aqui? — Perguntou, os olhos brilhando de expectativa.
Senti meu rosto esquentar, e quando olhei para Jared, ele parecia tão surpreso quanto eu, as sobrancelhas arqueadas em espanto.
— Maverick, chega de perguntas por agora. — Falei firmemente, recuperando a compostura.
Mas ele insistiu:
— Por favor, papai.
Os olhos de Jared encontraram os meus, e vi a incerteza neles.
— Maverick, ouça sua mãe. — Disse ele gentilmente, apoiando-me pela primeira vez.
— Porquê não, papai? Eu só quero passar mais tempo com você. Por favor, mãe? — O tom suplicante de Maverick começava a abalar minha resolução.
Nesse ponto, eu sabia que precisava encerrar o assunto antes que a situação ficasse constrangedora.
— Maverick, estamos comendo. Vamos falar disso mais tarde, tudo bem?
Jared rapidamente assentiu, concordando:
— Isso mesmo, rapaz. Vamos focar no jantar por enquanto.
Maverick abaixou a cabeça, os ombros caídos em desapontamento, mas ele assentiu.
O resto do jantar transcorreu em silêncio, salvo por algumas conversas esparsas aqui e ali. A tensão no ambiente era palpável, e eu podia sentir os olhos de Jared sobre mim.
Logo o jantar terminou, e comecei a limpar a mesa, tentando quebrar o silêncio. Maverick e Jared permaneceram na sala, conversando em tons baixos.
Foi então que Milo, nosso enérgico filhote de Doberman, entrou na sala e agarrou a barra da calça de Jared com um puxão brincalhão. Jared se assustou, mas logo riu suavemente enquanto Milo rosnava com ferocidade fingida.
— Ele é adorável. — Comentou Jared, agachando-se para acariciar a cabeça do filhote.
Maverick sorriu orgulhoso:
— Eu ganhei ele do meu melhor tio!
— É mesmo? Quem é esse “melhor tio”?
Maverick abriu a boca para responder, mas eu intervi imediatamente, o tom firme:
— Certo, Maverick, hora de se preparar para dormir, querido.
Jared levantou o olhar para mim, a testa franzida ligeiramente.
Maverick fez um biquinho:
— Ah, mãe, preciso mesmo? — Então ele se virou para Jared, sua última esperança. — Papai, você vai voltar?
— Com certeza, rapaz. — Disse Jared, e eu franzi o cenho.
O rosto de Maverick se iluminou:
— Sério? Quando?
Jared olhou para mim, parecendo dividido.
— Vamos discutir isso com sua mãe, tudo bem?
Isso pareceu satisfazer Maverick. Ele pegou Milo nos braços e saiu para se preparar para dormir com sua avó Nana, deixando Jared e eu sozinhos no silêncio carregado da sala de jantar.
Jared pigarreou, quebrando a tensão:
— Obrigado por me receber esta noite…
— Porquê? — Interrompi bruscamente, virando-me para encará-lo — Por quê você prometeu a ele que voltaria?
Ele pareceu surpreso, sua calma se desmanchando por um instante antes de responder:
— Achei que tínhamos concordado, Arielle. Ele sabe que sou o pai dele agora, e é claro que ele gosta de passar tempo comigo. Você não pode negar isso.
Soltei uma risada fria, cruzando os braços:
— Jared, as coisas entre nós estavam claras. Quanto mais meu filho se envolver na sua vida, mais provável é que ele se machuque. Você pode continuar escondendo a verdade por agora, mas e depois? Como você pretende contar tudo a ele — sobre nós, sobre por que nunca seremos uma família de verdade?
A dor passou pelo rosto dele, mas me recusei a ceder.
— Se você tivesse um pingo de consciência, pararia com isso. Nos deixaria em paz. Talvez ele possa ver você quando for mais velho, mas agora? Você não é bem-vindo em nossas vidas.
Jared inalou profundamente, cerrando o maxilar.
— Isso não é ser pai, Arielle. Isso é fugir. Você é superprotetora, e isso não é justo nem com ele nem comigo.
— Ele tem menos de quatro anos, Jared! Quatro! Preciso lembrar você que ele nem sabia que você era o pai dele até uma semana atrás? E o que aconteceu logo depois? Ele foi sequestrado. Sequestrado! Como espera que eu confie em você depois disso?
Ele estremeceu com minhas palavras, visivelmente lutando para responder.
Continuei, minha raiva aumentando:
— Esqueça. Ele ainda é jovem. Posso encontrar outra pessoa para ser o pai dele, alguém com quem ele se acostume facilmente…
Jared estava sobre mim em um instante, sua mão segurando meu pulso e me puxando para mais perto. Sua respiração era quente e perturbadoramente próxima da minha pele.
— Não. — Disse ele lentamente, sua voz rouca em tom de aviso. — Nem pense nisso, Ana.
Estava tão perto. Perto demais.

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