(NARRATIVA DE ARIELLE)
Eu me sentei de frente para minha mãe na mesa de jantar. Tínhamos acabado de colocar Maverick para dormir e decidimos ficar acordadas um pouco mais para conversar sobre o dia enquanto dividíamos uma tigela de salada de frutas frescas.
— Está sendo tão complicado fazer isso sozinha, mãe. Quero dizer, com coisas como a de hoje acontecendo, tenho tanto medo pelo meu bebê. E se ele decidir aparecer de novo? — Perguntei, desesperada, evitando mencionar o nome dele como se fosse um tabu. Mas minha mãe percebeu mesmo assim.
— Eu te digo, aquele cafajeste ingrato deve agradecer aos céus por eu não ter feito mais do que já fiz hoje! Ah, como eu adoraria ter afundado ainda mais aquele rosto dele — Resmungou minha mãe com nojo.
— Bem, ainda bem que não fez. Não quero a polícia levando minha mãe por agressão — Brinquei.
— Ora, por favor. Eles concordariam comigo que ele merece tudo o que eu fizesse com ele, depois de eu explicar tudo o que ele fez com você — Ela insistiu.
— E se ele perguntar sobre o pai? Ele está crescendo, mãe. Essa pergunta é inevitável, e eu temo não estar pronta para responder — Confessei, mergulhando novamente no meu desespero.
Minha mãe gentilmente colocou a colher no pires e segurou minha mão.
— Quando chegar a hora certa, vamos cuidar disso, Arielle. O Maverick tem você, e isso vale mais do que um milhão de pais. Além disso, você não está sozinha, querida. A mamãe está aqui com você. — Ela falou de forma tranquilizadora, aliviando todos os meus medos enquanto desenhava pequenos círculos no dorso da minha mão.
— Obrigada. Fico feliz que você esteja sempre aqui por mim e pelo Maverick. Assim como hoje. Quero dizer, que sorte tivemos por você ter chegado na hora certa. — Brinquei com um sorriso conhecedor.
— Certo, você me pegou. Não é todo dia que eu tenho dois bebês para cuidar, sabe. — Disse ela, tocando meu queixo com carinho.
— Mas eu não sou um bebê, mãe. — Reclamei em protesto brincalhão.
— Besteira. Você sempre será meu bebê. — Ela finalizou com um sorriso largo antes de voltar à sua maçã.
Ficamos em um silêncio confortável por um tempo, até que meu celular tocou. Ele estava virado para baixo na mesa, então fiquei ligeiramente irritada com a ideia de atender uma ligação tão tarde... até ler o identificador de chamadas. Dwayne.
Percebi que era uma chamada de vídeo apenas depois de deslizar o ícone de atender. O rosto de Dwayne apareceu na tela, sua expressão calma e composta, com um leve sorriso nos lábios enquanto me olhava.
Mesmo pelo celular, a intensidade do olhar dele tornava difícil manter o foco. A pele bronzeada dele não ajudava nem um pouco.
— Oi, Ari. — Ele finalmente disse com sua voz grave e rica.
Limpei a garganta. — Oi.
Do outro lado da sala, minha mãe pegou uma maçã, dizendo sem som:
—Vou deixar vocês a sós. — Com uma piscadela exagerada antes de sair.
Revirei os olhos de forma brincalhona e voltei para a chamada.
— Como está tudo? — Dwayne perguntou, ainda com seu uniforme de chef, com algumas manchas indicando como o dia dele havia sido cheio. Parecia que ele tinha separado um momento só para me ligar.
Parei, pensando em como resumir os últimos dias. — Atarefado. O trabalho está caótico, e o Maverick ainda está se adaptando à escola. Você sabe, o malabarismo de sempre.

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