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O Arrependimento Dele - Ex-Marido Me Quer de Volta romance Capítulo 335

— Cale... Você não precisa estar aqui. — A voz de Lydia saiu rouca sob o cobertor. — É só uma febre leve.

— Uma febre leve não faz você tremer desse jeito. — Respondeu Cale, a testa franzida enquanto observava o rosto dela. — Sua temperatura está quase em quarenta graus.

— Isso não é da sua conta.

— Agora é.

Lydia lançou-lhe um olhar fraco.

— Eu não pedi para você vir.

— E eu não pedi permissão para aparecer.

— Cale...

— Lydia! — Ele a interrompeu, o tom calmo, mas firme. — Pare de discutir. Você não está em condições de vencer.

Ela expirou devagar, as pálpebras pesadas.

— Você realmente adora mandar nas pessoas.

— Só nas teimosas.

— E acha isso engraçado?

— Não! — Disse ele, com um pequeno sorriso puxando seus lábios. — Mas eu gosto.

Lydia suspirou e fechou os olhos novamente.

— Eu não preciso de babá.

— Ótimo. Eu nem tenho licença para isso mesmo.

— Então por que ainda está aqui?

Cale puxou uma cadeira para mais perto e se sentou ao lado da cama.

— Porque não consigo deixar você sozinha.

Lydia abriu os olhos, estudando-o por um longo momento.

— Você sabe que eu odeio sentir que estão com pena de mim.

— Eu não tenho pena de você. — Disse ele suavemente. — Estou preocupado.

O silêncio se acomodou entre eles, quebrado apenas pelo som fraco da chuva batendo contra a janela.

— Por quanto tempo pretende ficar sentado aí? — Perguntou Lydia por fim.

— Até você dormir.

— Não consigo dormir com você me encarando desse jeito.

— Então vou continuar encarando até você se acostumar.

As sobrancelhas dela se juntaram.

— Você é impossível.

— Eu sei.

Cale se levantou, pegou uma toalha úmida e a pressionou gentilmente contra a testa dela.

Seu toque era cuidadoso, nada parecido com o homem direto e teimoso que ela havia conhecido.

— Você precisa tomar seu remédio. — Disse ele em voz baixa.

— Eu já tomei.

— Aquele que deixei no balcão da cozinha?

Lydia ficou em silêncio.

— Então, não. — Ele suspirou. — Você não consegue nem ser honesta quando está doente.

— Eu não queria te dar trabalho.

— Você dá trabalho desde o dia em que nos conhecemos. — Disse ele, com um sorriso discreto. — Mas, de algum jeito, eu nunca me importei.

Lydia olhou para ele e, pela primeira vez, algo diferente brilhou em seus olhos.

Não era raiva.

Não era irritação.

Era calor.

— Por que você é assim? — Sussurrou.

— Assim como?

— Cuidadoso demais.

— Porque, se não for eu... — Disse Cale em voz baixa. — Quem mais vai ser?

— De pensamentos sobre o quanto eu sou um incômodo.

Cale ficou em silêncio por um instante antes de responder em voz baixa:

— Porque, ultimamente, você é a única coisa que me faz sentir que eu importo.

Lydia congelou.

Seu rosto ficou quente e, desta vez, não era por causa da febre.

— Não diga coisas assim.

— Eu estou falando sério.

— Esse é exatamente o problema.

Cale a observou por um longo momento antes de se levantar.

Ele ajeitou o travesseiro dela e puxou a coberta com cuidado até seu queixo.

— Durma um pouco. Podemos discutir de novo amanhã.

— Tem certeza de que vai voltar amanhã?

— Se eu não voltar, você vai acabar me ligando.

Lydia abriu um sorriso fraco, fechando os olhos.

— Não tenha tanta certeza de si.

— Tarde demais.

Alguns minutos depois, a respiração dela se estabilizou, suave e uniforme.

Cale permaneceu sentado ao lado da cama, observando-a dormir. Havia exaustão em seu rosto, mas também paz, algo que ele ainda não tinha visto nela antes.

Ele se inclinou um pouco mais e sussurrou:

— Você não precisa saber disso, mas sou muito grato por ter conhecido você, Lydia.

Lá fora, a chuva continuava caindo suavemente noite adentro.

E, pela primeira vez, Cale percebeu: talvez já tivesse deixado de apenas se importar.

Talvez estivesse começando a amá-la.

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