Espinhos longos e afiados cobriam o rosto e o corpo de Rafael. Lágrimas brotaram de seus olhos enquanto a dor o sacudia da cabeça aos pés.
O filhote mais velho, protegido pelo corpo de Rafael, não tinha um arranhão sequer. A visão de duas flores de cacto pousadas na cabeça de Rafael só o fez rir mais ainda.
Ele bateu as mãozinhas, a expectativa faiscando em seus olhos, e abriu a boca...
Rafael viu aquele brilho ansioso e desabou. Todo vestígio de crueldade em seus olhos cedeu lugar ao terror.
"Não... não... por favor, não..."
"Whoosh!"
A violenta força espacial o atingiu de novo.
"Splash!"
"Smack, smack, smack!"
Água congelante inundou a boca, o nariz e os ouvidos de Rafael.
Eles haviam caído de mais de 300 pés em um lago gelado e sem fundo.
Os espinhos de cacto já haviam crivado sua pele. Quando a água gélida e fortemente salgada invadiu cada ferida, foi como se sal e ácido estivessem sendo derramados em mil cortes abertos.
"Gurgle... á-água salgada?"
Movido pelo instinto, Rafael lutou para alcançar a superfície.
O filhote mais velho havia se transformado em um pequeno pássaro negro e estava pousado num galho à beira do lago, observando-o alegremente.
Quando Rafael finalmente se arrastou para fora da água, sua pele estava roxa de frio, espinhos cobriam seu rosto, e ele praticamente cuspia gelo.
Lançou um olhar feroz para o filhote na árvore e rosnou,
"Se não posso estrangulá-lo, vou explodi-lo com minha habilidade."
Antes que pudesse reunir seu poder, o filhote pousou em seu ombro, e o espaço tornou a se deformar.
Desta vez, Rafael caiu bem no meio de uma matilha de bestas selvagens prestes a se alimentar.
Uma besta enorme já abrira as mandíbulas ensanguentadas sobre o jantar quando um objeto em forma humana coberto de espinhos de cacto, ervas daninhas, lama e água de cheiro azedo despencou do nada.
A besta encarou.
Rafael encarou de volta.
Por um único fôlego, um silêncio absoluto encheu o ar.
O filhote mais velho se aninhou contra Rafael e contemplou as dezenas de bestas se aproximando. Seus olhinhos ardiam, e suas asas vibravam de empolgação.
Rafael foi o primeiro a reagir. Arrastando consigo espinhos, lama e roupas encharcadas, fugiu enlouquecido pelo meio da manada.
Até esqueceu que tinha uma habilidade.
"Socorro!"
Seus lamentos desesperados ecoaram pela vastidão.
Depois de lutar e correr com tudo o que tinha, Rafael finalmente escapou, por um triz, com vida. Desabou na grama, ofegante.
"Hah... hah...
"Maldição..."
Grama, lama fétida e espinhos de cacto grudavam nele. Suas roupas arruinadas pareciam piores do que as de um mendigo.

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