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Nosso Filho, Meu Segredo: O Contrato Proibido romance Capítulo 273

O zumbido branco da UTI tinha se transformado em um ritmo mecânico e hipnótico: o bip… bip… bip… constante do monitor cardíaco de Ian, a máscara de oxigênio sibilando suavemente, o gotejar silencioso dos soros e analgésicos. Ele estava estável. Sedado. Fora do perigo iminente, mas mergulhado em um sono químico profundo que o afastava do mundo, e dela.

Olívia estava sentada na cadeira rígida ao lado da cama, sua mão envolvendo a dele, que estava fria e inerte. Léo, exausto, dormia em um pequeno sofá na sala de visitas anexa, sob o olhar atento de um segurança. Carla e Matheus lidavam com o mundo exterior. Por um momento, não havia nada para fazer além de esperar e vigiar.

Foi então que a pressão, acumulada em ondas sucessivas desde o estampido no armazém, passando pelo terror da coletiva e pelo desespero da espera na sala cirúrgica, encontrou uma brecha. Um tremor começou em suas mãos, subiu por seus braços, sacudiu seus ombros. A visão embaçou. Ela precisava sair dali.

Com um último olhar para o rosto pálido e sereno de Ian, ela soltou sua mão com cuidado, como se ele pudesse quebrar, e saiu em passos rápidos e trêmulos. Seguiu os corredores brancos e iluminados sem ver, até encontrar a placa silenciosa de um banheiro para funcionários. Entrou, trancou a porta e colapsou.

Não foi um choro elegante ou contido. Foi um desabamento silencioso e violento. O corpo escorregou pela porta até o chão frio de azulejo, os joelhos se encolheram contra o peito, e um soluço rouco e profundo rasgou sua garganta, abafado apenas pelo tecido do casaco que ela enfiava na boca. Todo o medo, a raiva, a culpa, o esgotamento absoluto jorraram de uma vez. A imagem de Ian caindo. O sangue. A voz de Léo gritando "mamãe!" no meio do caos. A sensação de ter quase perdido os dois pilares de seu mundo, e de ter sido forçada a escolhar entre um e o outro, mesmo que por um instante. O peso era insuportável.

Ela não sabia há quanto tempo estava ali, tremendo no chão, quando uma batida discreta na porta a fez engasgar e prender a respiração.

— Olívia? — Era a voz cautelosa de Matheus do lado de fora. — Tem… uma visita. Para você.

— Não quero falar com mais ninguém. — Olívia rebate, fungando.

— Não é jornalista. — Matheus corta aquela dúvida.

Olívia limpou o rosto com as costas das mãos, respirando fundo, tentando recompor qualquer aparência de sanidade.

— Quem? — sua voz saiu estrangulada.

Uma pausa.

— É… sua mãe. Helena. A escolta policial a trouxe. Ela insistiu. Diz que tem algo que só pode dizer a você.

Helena. O nome caiu como uma pedra em seu estômago já embrulhado. A mulher que orquestrou o inferno que quase lhes custou tudo. A mãe que era uma estranha. A sentinela que guardava segredos até o fim. A raiva, instantânea e purificante, secou as últimas lágrimas. Ela se levantou, endireitou a roupa amassada, encarou seu reflexo devastado no espelho. Os olhos estavam vermelhos, mas agora também duros.

O encontro aconteceu em uma salinha de conferências vazia do hospital, uma espécie de limbo entre a liberdade e a custódia. Helena estava sentada de um lado da mesa, as mãos algemadas sobre o tampo de formica. Uma policial feminina ficava de pé junto à porta. Do outro lado, Olívia permaneceu em pé, recusando-se a sentar, seus braços cruzados como uma armadura.

Helena parecia ter envelhecido vinte anos em dois dias. Seus olhos, antes tão calculistas, estavam afundados e cheios de uma angústia que parecia autêntica. Ela olhou para a filha, e o que viu — a exaustão, a dor, a frieza — fez com que seu próprio rosto se contorcesse.

— Olívia — ela começou, a voz um sopro áspero.

— Poupe-nos — Olívia cortou, a voz gelada. — Não diga que sente muito. Não diga que não era essa a intenção. Suas intenções quase o mataram. — Ela apontou com a cabeça na direção geral da UTI.

Helena baixou os olhos, aceitando o golpe.

— Eu sei. E por isso estou aqui. Não para pedir perdão. Você não pode me perdoar. Eu não me perdoo. — Ela ergueu o olhar, e nele havia um brilho de urgência desesperada. — Estou aqui para tentar impedir que qualquer outra coisa aconteça com vocês. Para enterrar de vez os fantasmas que eu ajudei a desenterrar.

Olívia desceu os braços. O gesto não era de rendição, mas de definição.

— Helena — ela disse, e o nome soou estranho e final em sua boca. — Eu não te perdoo. Não perdoo as mentiras, a manipulação, o fato de você ter colocado meu filho no caminho de balas para alimentar sua vingança. Não perdoo você por quase tirar de mim o único homem que… — Sua voz falhou por um segundo. Ela se recompôs. — Mas eu agradeço. Agradeço por ter desobedecido a Nicolau. Por ter me salvado quando eu era um bebê. Por ter me dado a chance de ser mãe do Léo.

Ela deu um passo em direção à porta, mas antes de sair, lançou o último olhar.

— Aceito a informação. Não como reparação; nada pode reparar isto, mas como uma ferramenta. Para protegê-los. E você… — Olívia fez uma pausa, sua voz ficando mais firme, mais final. — Você vai fazer o que disse. Vai se entregar, vai confessar tudo. E depois disso, você vai ficar longe de nós. Para sempre. Não procure. Não escreva. Não mande mensagens. Você não é minha mãe. Eu nunca tive uma. Você é uma página fechada no livro mais sombrio das nossas vidas. E é assim que vai ficar.

Helena não chorou. Apenas fechou os olhos, como se a sentença fosse um alívio doloroso. Um aceno de cabeça, quase imperceptível. Aceitação.

Olívia saiu da sala sem olhar para trás. O peso ainda estava lá, nos ombros, no peito. Mas agora, era um peso que ela conhecia. Um peso que carregaria, não mais sozinha, mas com a chave para trancar o passado de uma vez por todas.

Ela voltou para a UTI. Ian ainda dormia. No sofá, Léo se agitou em um pesadelo, um pequeno gemido escapando de seus lábios. Olívia se aproximou, ajoelhou-se ao seu lado e começou a acariciar seu cabelo, cantarolando baixinho a mesma melodia sem palavras.

— Shhh, meu herói — ela sussurrou, seus olhos secos agora fixos no rosto do filho. — A mamãe está aqui. E daqui pra frente, vai ser diferente. Eu prometo.

Pela janela, a primeira luz fraca do amanhecer começava a colorir o céu. Um novo dia. O primeiro de uma vida onde os segredos, finalmente, tinham um fim.

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