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Nosso Filho, Meu Segredo: O Contrato Proibido romance Capítulo 267

O céu pré-amanhecer era uma massa cinzenta e ameaçadora sobre os velhos estaleiros. O ar frio do rio carregava o cheiro de ferrugem, água parada e desespero. Olívia caminhava sozinha pela rua de paralelepípedos quebrados, seus passos ecoando na escuridão silenciosa. Cada batida do seu coração era um grito: Léo, Léo, Léo.

Ela estava destroçada por dentro. O mundo que conhecera havia se desintegrado em menos de 24 horas. Mas em meio aos escombros, havia uma única bússola: o instinto materno, feroz e cego. Ela faria qualquer coisa. Assinaria qualquer confissão. Entregaria sua própria alma. Tudo para ter seu filho de volta nos braços.

O armazém 7, como indicado no endereço, era um monstro de concreto e ferro retorcido, com portas de correr enferrujadas parcialmente abertas. Um convite para o abismo.

Olívia parou na entrada, sua respiração formando nuvens brancas no ar frio. Ela olhou para trás, para as sombras onde Ian e Matheus deveriam estar se posicionando. Não os via. Só confiava que estavam lá. E então, engolindo o medo que subia como bile em sua garganta, ela entrou.

A escuridão interior era cortada por uma única fonte de luz: um holofote portátil no centro do vasto espaço vazio, iluminando uma pequena ilha de realidade no mar de escuridão. E lá, sentado em um banco de madeira, envolto em seu cobertor, estava Léo.

— Léo! — o nome saiu de seus lábios como um suspiro roubado.

O menino ergueu a cabeça. Seu rosto iluminou-se por um segundo ao ver a mãe, antes que o medo o cobrisse novamente. Ele saltou do banco e correu em sua direção, seus pequenos pés ecoando no concreto.

— Mamãe!

Olívia correu ao encontro dele, caindo de joelhos no chão sujo para envolvê-lo em um abraço tão forte que temia machucá-lo. Ela enterrou o rosto em seu cabelo, inalando seu cheiro, sentindo o calor dele, a prova viva de que ele estava ali, inteiro.

— Está tudo bem, meu amor, está tudo bem — ela chorou, beijando seu rosto, suas mãos passando por sobre ele procurando por ferimentos. — Mamãe está aqui. Nós vamos embora agora. Já vamos.

— Não tão fácil assim, querida.

A voz veio das sombras além do círculo de luz. Doce. Familiar. Uma faca embalada em veludo.

Olívia se levantou rapidamente, puxando Léo para trás de si, protegendo-o com seu corpo. Helena emergiu da escuridão, sua figura maternal e tranquila um contraste brutal com o ambiente hostil. Ela usava um casaco simples, seu rosto estava sereno, mas seus olhos… seus olhos tinham uma profundidade que Olívia nunca percebera. Eram os olhos de uma estrategista, não de uma cuidadora.

— Dê-me meu filho, Helena — Olívia disse, sua voz trêmula, mas firme. — Você já fez o que veio fazer. Me machucou. Me enganou. Agora, deixe-nos ir.

Helena sorriu, um gesto triste.

— Se fosse apenas sobre machucar, querida, você já estaria morta. E ele também.

Outras figuras começaram a se mover nas sombras, entrando na borda da luz. Olívia sentiu o sangue gelar em suas veias.

Alexander, o irmão de Ian, com seu sorriso afiado e olhos famintos.

Alberta, a empregada antiga e silenciosa da mansão, com seu rosto normalmente impassível agora carregado de uma mágoa antiga.

E Clara, pálida e com os olhos arregalados de medo, como se também fosse uma refém naquele teatro.

Olívia recuou um passo, apertando Léo contra suas pernas. Era um covil. Um covil de traidores e fantasmas.

— O que diabos… — ela sussurrou.

Ninguém falou. Todos olhavam para Helena, aguardando. Ela era a maestrina.

— Mas então… você apareceu. A filha que eu tive que entregar para proteger. A bebê que deixei com Nora, minha irmã mais nova, para crescer longe deste inferno. Você entrou na mansão sem saber de nada. E eu… eu estava em choque. Minha própria filha, criada sem saber da minha existência, agora no coração da besta. Eu tentei protegê-la. Tentei afastá-la.

— E ela? — Olívia perguntou, indicando com o pescoço na direção da outra mulher.

Helena olhou para Clara, que estremeceu.

— Clara? Não foi útil como pensei. Alexander não teve tanta sorte assim. — ela deu de ombros, friamente. - Mas então pedi à Carolina, em segredo, que assustasse você. Que a fizesse pensar que Léo corria perigo, que você precisava fugir com ele. Para longe dos Moretti, para longe de mim… para longe de tudo isso. — Sua voz falhou. — Mas você não ouviu. Você é teimosa, como eu. E então… eu não tive mais escolha. Tive que mostrar a você a verdade. Mesmo que doesse. Mesmo que você me odiasse.

Olívia estava paralisada. As revelações eram tantas, tão monstruosas, que sua mente não conseguia processar tudo. Helena era sua mãe. Alexander era seu primo. Toda a sua vida foi uma mentira dentro de uma mentira, uma montanha russa de traição e dor.

— E agora? — Olívia perguntou, sua voz um sussurro quebrado. — Você me trouxe aqui para me matar? Para matar Léo? Para completar sua vingança?

Helena olhou para Léo, que se agarrava às pernas da mãe, seu rosto escondido. A expressão dela se dissolveu em algo que era puro amor agonizante.

— Não, minha filha — ela sussurrou. — Eu trouxe você aqui para lhe dar uma escolha. A escolha que eu nunca tive. Fique. Lute ao lado de Alexander, tome o que é seu por sangue, destrua o império que destruiu nossa família… — Ela estendeu a mão para Olívia. — Ou pegue seu filho e desapareça. Eu abrirei um caminho. Dinheiro, documentos novos, uma vida nova onde ninguém jamais os encontrará. Mas você tem que escolher agora. Porque quando o sol nascer, a guerra começa. E Ian… — ela olhou para as sombras além da porta, como se pudesse vê-lo — …o neto do homem que destruiu a vida minha irmã e ajudou a matar a sua mãe, não vai te dar escolha alguma. Ele vai te arrastar para o fogo cruzado. E Léo será destruído.

A oferta pairou no ar, pesada e impossível. Vingança ou fuga. Sangue ou liberdade. O passado ou o futuro.

Olívia olhou para o rosto de Helena, sua mãe, a mulher que arquitetou toda a sua dor e também a protegeu da pior parte dela. Olhou para Léo, seu futuro, seu tudo.

E em algum lugar nas sombras, Ian a observava, esperando por seu movimento.

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