Celeste, com os maxilares cerrados, preferiu o silêncio.
Alexandre posicionou-se face a face com Gregório, perscrutando-o profundamente:
— A Segunda Ala executou inúmeras operações nas trevas ao longo da última década. Se a derrocada deles agora se deu pelas pontas soltas das artimanhas da Dulce, ou foi porque a ideia de expurgo já permeava a sua consciência há algum tempo, explorando uma conveniente ventania da moça, é irrelevante agora.
Alexandre saberia decifrar os recônditos de seu tão formidável neto.
Com táticas enigmáticas na cabeça desde menino, era notório que os métodos implementados por ele enregelariam qualquer adversário. Quando decidiu riscar o fósforo e espalhar as chamas no passado, nem a estadia de seu próprio pai na cabana inibiu a sua vontade.
Com os artifícios sombrios que arquitetava.
Ele não ficaria surpreso com mais nada que visse nascer daquilo.
Contudo.
Reiterava a competência indisputável e o caráter inquestionável imperativo de alguém responsável pelos comandos patriarcais.
Ele estendeu as palmas, com o intuito de confortar os ombros de Gregório:
— Apesar disso, o Charles está agora conosco. Ele vai liderar parte das diligências na Sede num futuro próximo. O que você quer fazer vai depender de si.
Sem traços de preocupação, Gregório limitou-se a articular:
— Deixe o processo ditar os rumos organizacionais.
As conversas se encerravam ali. Alexandre virou de imediato as costas.
Deixando de lado qualquer intenção punitiva contra Celeste.
Havia sido um assunto concluído.
Os arranjos da Família Souza foram expostos e estabelecidos, então futilidades vingativas não remediariam o desenrolar irredutível daquelas tramoias.
Charles alcançou rapidamente a moça jogada aos chãos. Puxou Celeste para as suas mãos e perguntou apreensivo:
— Passou, você se assustou?
Celeste não pôde sequer pronunciar o sim ou não.
A avó falou com um tom tão duro e severo que interrompeu todo o clima tenso do ambiente.:
— Charles, o seu irmão e a sua cunhada precisam compartilhar alguns diálogos agora. É vital que você não estique seus braços ali. E acompanhe os meus passos, a minha cabeça está meio turva.
Encurralado, Charles esvaziou a recusa e retornou as passadas.
Resmungou:
— Avó, por que tanto mau humor?
Logo prosseguiu, olhando na direção de Celeste:
— Se precisar, pode me contatar a qualquer momento.
O olhar dele direcionado a Gregório espelhou incontáveis tribulações e a decisão irrefutável de manter distâncias de vocábulos não oportunos, ante as tormentas inevitavelmente caóticas oriundas do embate entre o bebê...
Embora o rancor não desabasse por completo, constituía certamente um muro inflexível na comunicação a ambos.
A avó puxou Charles junto para fora dos portões.
A quietude imperturbável adensou a atmosfera no saguão.
Gregório solicitou, imperativo e inquestionável, direcionamentos que indicavam à Mansão do Casamento.
Celeste dominou os painéis rotineiros nos trajetos automotivos habituados para se aproximarem rapidamente do destino final.
Nenhum som adentrou as frequências do automóvel ao trajeto que consumiam.
Fingindo ingenuidade aos fatos tão desestabilizadores que chacoalharam o pilar da sua vida rotineira no decurso da última metade do dia.
Logo que alcançaram a porta da moradia.
Foi aí que se conscientizou da ilusão desconexa temporal e todos os acontecimentos do passado pareciam fazer parte de uma vida totalmente distante da realidade dela agora.
A estrutura interna resplandeceu a permanência cristalizada no percurso transacional do mundo, a única variabilidade fora os ecos de repulsa que habituaram de um segundo pra outro os recônditos interiores em sua cabeça.
Gregório contornou os fios espaciais com o olhar pra mirar na figura paralisada sem um foco nítido observando paredes a instantes prolongados, a perder a clarividência e fixar os seus pensamentos à distância imensurável dos alcances alheios.
Suas pálpebras desenharam uma arqueada:
— O que foi? O lapso da porta desapareceu com seu isolamento durante o ciclo dos últimos sete anos?
Celeste despertou, juntando com uma expressão enrugada e desagradável, despontada rapidamente à sua cara.
Todas as palavras dele eram cheias de sarcasmo cruel, sem nenhum cuidado para não machucá-la, zombando de todo o sentimento que ela já nutriu por ele.
Até mascarado na sonoridade imperturbável do tom diário dele.
Sem um fio de relutância aparente, ela disse:
— A dona da casa já mudou, preciso estar tão familiarizada com isso aqui?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Nosso Casamento Tinha Prazo
Estou só chorando 😭😭😭😭😭...
Essa autora não tem um pingo de respeito pela Celeste, esmaga até o último resquícios de humanidade dela, só valoriza a amante. Misericórdia dá ódio de ler esses livros onde as amantes tem tudo e anda de cabeça erguida....
Top demais eu nunca li u livro tão bom assim, parabéns autora👏👏👏👏👏...
Meu pressentimento estava correto esse Vinícius não vale nada nem o que o cachorro enterra...
Porque demora tanto a atualizar?...
Por ser um romance,a autora não trás o romantismo,a história não tem um beijo,um abraço.pra mim é uma história sem ápice.Autora dê mais clímax a história....
Que tudo!!!! Esse capítulo autora😎👏👏👏👏👏...
Torcendo pela restauração da família Celeste Gregorio e Laura ❤️❤️❤️...
Não gosto do Vinícius esse cara não me passa confiança que Celeste passe longe dele...
Vai ser uma sacanagem se essa autora mudar a personalidade do Vinicius para ano final dar ela pra o Gregório que claramente é um homem que não apoiou ela nos momentos de maior necessidade como o nascimento da filha, inventa uma situação pra justificar as atitudes dele....