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Nosso Casamento Tinha Prazo romance Capítulo 240

Quase inconscientemente, ela apertou os lábios e se encolheu para o canto.

Gregório notou o movimento.

Ele lançou um olhar sereno para as costas de Celeste.

Não esboçou grande reação; apenas fechou os olhos para dormir.

Não fez mais nenhum outro movimento.

O quarto mergulhou em um silêncio absoluto.

Dividir a mesma cama, mas nutrir sonhos tão distintos... era exatamente aquilo.

A mente de Celeste, por outro lado, fervilhava de planos. Cada passo que desse a partir dali exigiria extrema cautela. Enquanto a documentação de Laura não fosse resolvida, ela não teria um dia de paz.

O problema era um só.

A certidão de divórcio, emitida por vias não convencionais, não podia ser refeita tão facilmente.

Ela não pôde evitar franzir a testa.

Bzz, bzz, bzz...

Atrás dela, o som do celular vibrando com notificações intermitentes rompia a quietude.

Uma vibração após a outra, em intervalos irregulares.

Celeste sequer abriu os olhos. Podia adivinhar com facilidade: era, sem dúvida, Dulce, consumida pela ansiedade. Afinal, testemunhara com os próprios olhos que ela e Gregório passariam a noite juntos, e era inevitável que fizesse sua "ronda" para marcar território.

Às suas costas, Gregório esticou o braço e pegou o aparelho.

Celeste não sabia o que ele digitara para a namorada.

O celular ficou silencioso.

Ao senti-lo virar-se na cama, ela se sentiu genuinamente desconfortável e apertou as mãos com mais força ao redor do cobertor.

Foi então que aconteceu.

— Pode dormir tranquila, eu não vou tocar em você. — a voz dele soou, carregando um traço imperceptível de escárnio.

Celeste ficou atônita por um segundo.

Mas logo compreendeu.

Aquilo não era uma garantia direcionada a ela, mas sim uma declaração de lealdade inabalável a Dulce, honrando os princípios de um namorado devotado.

Provavelmente, no segundo anterior a dizer-lhe aquilo, ele havia enviado as mesmíssimas palavras para a outra.

Do contrário, o celular não ficaria quieto pelo resto da noite.

Com isso, Celeste também conseguiu ignorar a presença de Gregório. Mergulhada em pensamentos sobre Laura, adormeceu lentamente.

Ao ouvir os passos, ele olhou em sua direção.

— Diretor Souza, o que acha de levar a senhora para a empresa daqui a pouco? — Dona Glenda aproveitou a deixa instantaneamente.

Gregório lançou um olhar frio e distante para Celeste.

Ele não recusou.

Celeste também preferiu o silêncio.

Marido e mulher apaixonados... O teatro devia continuar até o fim. Tanto ela quanto Gregório tinham motivos inadiáveis para se divorciar. De certa forma, poder-se-ia dizer que eles haviam... formado uma aliança?

Ambos entraram no carro.

O veículo deslizou suavemente para fora dos jardins da propriedade.

Celeste e Gregório ocupavam as extremidades do banco de trás. A distância física entre eles nem era tão grande, mas parecia haver um abismo intransponível os separando.

— O aporte inicial para a Hercore entra na conta hoje. Quando o projeto de vocês vai começar? — Gregório mantinha os olhos no celular e, no intervalo entre uma mensagem e outra, dirigiu-lhe a palavra.

— Achei que o Diretor Souza apenas financiasse, sem se intrometer. — Celeste respondeu com desdém.

— Informar-se e intrometer-se são coisas fundamentalmente distintas. — disse ele.

— Se está tão curioso, vá conversar com nosso Diretor Costa. Por que perguntar a uma figura insignificante como eu? — Celeste virou o rosto para encarar a paisagem pela janela.

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