Entrar Via

Nosso Casamento Tinha Prazo romance Capítulo 229

Ameaças e subornos vinham em ondas sucessivas.

Não lhe davam sequer a chance de recusar.

Especialmente em uma família de prestígio como a Família Souza, onde os mais velhos aparentavam ser benevolentes, mas na realidade governavam com mãos de ferro e corações gelados.

O destino de quem os desobedecia nunca era dos melhores.

Celeste foi cordialmente enxotada do quarto.

Sentiu a luz do sol do lado de fora ferir intensamente os seus olhos.

Entrou no carro.

O peito de Celeste subia e descia rapidamente.

Tudo aquilo fora completamente inesperado.

Arruinara todos os seus belos planos e expectativas.

A certidão era a única prova do fim do casamento, o único documento capaz de liberar a transferência do registro de Laura.

Teoricamente, estavam divorciados, mas se não recuperasse os papéis, tudo poderia ser anulado a qualquer momento.

Ela simplesmente não tinha controle algum sobre a situação!

Se o divórcio fosse invalidado, todos os seus esforços e o acordo de renúncia da guarda paterna perderiam a validade.

A custódia de Laura agora pendia por um fio.

Naquele instante, Celeste sentiu um ódio mortal pela ausência de Gregório.

Se ele tivesse levado a sério o dia da assinatura, como a velha senhora conseguiria roubar os documentos?

Celeste forçou-se a manter a calma para pensar em uma solução.

Independentemente do que acontecesse, ela precisava assegurar que o divórcio fosse oficializado.

Nesse meio tempo, o celular tocou. Era Juliana.

Celeste deu meia-volta e dirigiu até a casa da amiga.

— Então vocês estão divorciados ou não? — Juliana perguntou, incrédula.

A expressão de Celeste era sombria.

— A certidão de divórcio não deve ser algo que se pode anular a qualquer hora. Imagino que exista um prazo legal. Se eu conseguir passar por esse prazo em segurança, o divórcio será definitivo. Uma vez que não possa mais ser revertido, reter o documento não fará diferença e a avó Souza terá que me entregá-lo.

O seu palpite se baseava na forma como a lei costumava operar no país.

Mesmo tendo recorrido a um meio facilitado, a lei jamais permitiria que se abusasse de brechas legais indefinidamente.

— Faz sentido, você é quem pensa nessas coisas! A velha provavelmente está só jogando um blefe para te assustar, querendo que você acredite que o divórcio pode ser anulado não importa o tempo que passe.

Juliana concordou que a teoria de Celeste era extremamente plausível.

O problema era o que aconteceria dentro desse prazo...

Ela estaria pisando em ovos o tempo todo.

Ela olhou para a tela do aparelho.

Era o feed de Juliana em uma rede social.

Dulce havia publicado um carrossel de nove fotos.

Acompanhado de uma localização.

As imagens mostravam comida, roupas de grife, hospedagem e passeios luxuosos. Mas era a foto do meio que chamava atenção.

Era um clique altamente sugestivo do canto de um café de hotel. Em frente a uma enorme janela de vidro, refletia-se a silhueta de alguém sentado de pernas cruzadas no sofá, recostado, com um livro sobre as coxas. O contorno era embaçado, ocultando a identidade do homem.

No entanto, após sete anos de casamento.

Como Celeste poderia não reconhecê-lo?

Na legenda, Dulce escrevera:

— Quem te ama sempre acompanha e satisfaz todos os seus caprichos repentinos. Bastou eu dizer que queria viajar para esta cidade espairecer, e o meu desejo não precisou esperar até o dia seguinte.

Celeste mal conseguia descrever os sentimentos que a invadiram naquele instante.

Absurdo?

Ridículo?

Ela era como um fantasma, invisível o bastante para que, no dia de assinarem a certidão de divórcio, fosse completamente deixada para trás.

Será que nada importava mais do que realizar os pequenos caprichos repentinos de Dulce?

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Nosso Casamento Tinha Prazo