CHARLES KINGSTON
Eu passei a semana inteira torcendo, para que as palavras do meu avô fossem apenas uma ameaça vazia. Um blefe de um velho arrogante querendo me torturar psicologicamente. Afinal, Richard Kingston era um homem ocupado.
Infelizmente, eu subestimei a capacidade dele de me perturbar.
No sábado seguinte, exatamente ao meio-dia, o som da campainha do nosso apartamento ecoou pelo corredor.
Isabel, que estava terminando de arrumar a mesa, abriu um sorriso radiante e largou os guardanapos.
— Deve ser ele! Vou abrir! — ela anunciou, animada.
Fechei os olhos na cozinha, respirando fundo enquanto segurava uma travessa de frango assado com batatas. Dessa vez, eu não comprei comida em um restaurante e transferi para as panelas. Eu havia, de fato, tentado fazer o almoço sozinho depois de receber duas aulas essa semana.
— Senhor Kingston! Que alegria recebê-lo novamente — ouvi a voz doce e genuína da minha esposa na entrada.
— O prazer é todo meu, minha querida Isabel. E, por favor, me chame apenas de Richard.
Caminhei até a sala de estar, carregando a travessa quente. O meu avô estava lá e segurava uma garrafa de vinho na mão.
— Eu trouxe para o almoço — ele disse, entregando a garrafa para Isabel. Reconheci o rótulo imediatamente. Custava milhares de dólares. — Uma pequena lembrança.
— Oh, não precisava se incomodar, Richard. Muito obrigada! Sente-se, o almoço já está servido.
O almoço correu de forma surpreendentemente pacífica. O meu avô parecia entretido com as histórias do hospital que Isabel contava e, para a minha surpresa, elogiou o meu frango, mesmo que estivesse ligeiramente seco. Eu me mantive calado a maior parte do tempo, apenas observando a situação bizarra da minha vida se desenrolar.
Depois de comermos, fomos para a sala de estar. Isabel serviu café para nós dois e sentou-se ao meu lado no sofá, enquanto o meu avô se acomodava na poltrona à nossa frente.
— Richard, confesso que estava ansiosa para que o senhor voltasse hoje. O Charles é um completo mistério para mim. Ele quase não fala sobre a infância ou sobre a família. É como se a vida dele tivesse começado nos últimos anos.
— Ele não fala muito sobre isso porque não foi uma época fácil para ele, minha jovem — o velho respondeu.
Enrijeci todos os músculos das minhas costas. Eu odiava falar sobre aquele assunto. Era a minha única ferida exposta que nunca consegui fechar.
Isabel se virou para mim e acariciou o meu rosto com as pontas dos dedos.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Nossa! Meu Marido de Aluguel é um Bilionário!
olá! gostaria de lê a história completa, como faço?...