CHARLES KINGSTON
Lentamente, Isabel guardou as chaves e pendurou a sua bolsa no cabideiro, tudo com uma calma de quem tenta entender o que está presenciando.
— O que está acontecendo aqui? — ela perguntou. — Charles... quem é esse senhor na nossa sala? Por que vocês estavam gritando?
Eu preciso de uma saída. Qualquer saída. A primeira mentira que cruzou a minha mente saiu tropeçando pela minha boca.
— Não é nada, amor. Não precisa se preocupar — forcei o sorriso mais relaxado que consegui, caminhando rapidamente até ficar entre ela e o meu avô. — Este senhor é apenas um vizinho nosso. Um vizinho idoso e... bem, um pouco confuso da cabeça. Ele se enganou de apartamento e acabou entrando aqui. Eu estava justamente tentando explicar a situação e pedir com educação para ele sair.
Atrás de mim, senti a temperatura cair para abaixo de zero.
Virei o rosto minimamente. Os olhos do meu avô estavam me fuzilando. Se olhares pudessem queimar, eu já seria um monte de cinzas no tapete da sala.
— Venha, senhor — falei, tentando manter o tom condescendente enquanto segurava o braço dele, para arrastá-lo em direção à porta. — Eu acompanho o senhor até a saída. O seu apartamento é para o outro lado...
— Tire as suas mãos de mim, seu insolente! — o velho esbravejou, puxando o braço com força.
Isabel deu um passo para trás, assustada com a explosão repentina de voz.
O meu avô arrumou as lapelas do seu paletó, ergueu o queixo com aquela mesma arrogância fria que herdei dele, e deu um passo na direção da minha esposa, ignorando completamente as minhas tentativas de barrar o seu caminho.
A expressão furiosa dele suavizou instantaneamente. Ele abriu um sorriso educado e perigosamente calculista.
— Perdoe os modos selvagens deste rapaz, minha jovem. Eu não sou vizinho nenhum, e garanto a você que a minha mente funciona perfeitamente bem — ele disse, com uma voz aveludada, estendendo a mão na direção de Isabel. — Eu sou o avô do Charles.
Isabel arregalou os olhos com surpresa genuína. A boca dela se abriu. Ela olhou para mim, esperando que eu desmentisse aquela loucura, mas eu apenas engoli em seco, derrotado.
— O... o avô do Charles? — ela repetiu, piscando algumas vezes antes de limpar a mão no próprio casaco e apertar a mão do meu avô com toda a educação e doçura que lhe eram características. — Meu Deus, me perdoe a confusão! É um prazer conhecê-lo, senhor. O Charles nunca me disse que tinha família morando aqui por perto.
— O Charles esconde muitas coisas, minha querida — o velho alfinetou, olhando na minha direção antes de voltar a focar em Isabel.
Isabel tombou um pouco a cabeça para o lado, apertando os olhos enquanto analisava o rosto do meu avô. O sorriso dela vacilou por uma fração de segundo, substituído por uma expressão pensativa.
— É engraçado... — ela murmurou, quase para si mesma. — O senhor me parece muito familiar. Nós já nos vimos em algum lugar?
Quase tive um infarto ali mesmo. O meu coração bateu tão forte contra as minhas costelas que eu achei que ia desmaiar. O rosto de Richard Kingston, o criador da maior empresa de tecnologia do país, já havia estampado dezenas de capas de revistas. Se ela ligasse os pontos... o meu casamento acabaria antes de servirem os pratos.
— Ele tem um rosto muito comum, amor! Todo mundo acha que o conhece! — intervi, desesperado, empurrando o ombro do velho na direção da saída. — Mas, infelizmente, o vovô não pode ficar! Foi uma visita relâmpago. Ele tem um compromisso urgente agora à noite! Uma consulta inadiável com o cardiologista, não é mesmo? O coração já não é mais o mesmo...

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Nossa! Meu Marido de Aluguel é um Bilionário!
olá! gostaria de lê a história completa, como faço?...