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Nossa! Meu Marido de Aluguel é um Bilionário! romance Capítulo 87

ISABEL LINORES

Ver o homem que me aterrorizou a vida inteira jogado aos meus pés, soluçando miserável, não me trouxe a sensação de vingança que eu imaginei que teria. Não senti vontade de rir da cara dele, de tripudiar sobre a sua desgraça ou de gritar que ele merecia tudo aquilo.

No fundo, enquanto o vento frio do fim de tarde batia no meu rosto no estacionamento quase vazio do hospital, a única coisa que eu sentia era uma pena profunda e lamentável. Pena, e um grande alívio por finalmente perceber, com todas as letras, que ele não tinha mais nenhum poder sobre mim. As correntes que me prendiam a Elias Linores haviam se partido para sempre.

Ele continuou chorando, com as mãos agarradas à barra do meu casaco.

— Por favor, Isabel... Só me deixe ficar naquele apartamento antigo.

Respirei fundo, e abri o zíper da minha bolsa. Tateei o interior até os meus dedos encontrarem o chaveiro que eu guardava no fundo. Puxei a cópia das chaves do antigo apartamento onde eu e a minha mãe moramos por tantos anos, que agora Charles usava como esconderijo durante o dia.

Elias olhou para as minhas mãos, os olhos vermelhos e úmidos brilhando com esperança.

— Pegue — falei, estendendo as chaves para ele.

Ele agarrou o chaveiro, beijando as chaves e chorando ainda mais alto.

— O-obrigado! Muito obrigado, minha filha! Eu sabia que você tinha um bom coração, sabia que não ia me deixar na rua...

— Não me chame de filha. Eu estou te entregando essas chaves por pena, Elias. Porque não sou o monstro que você e a sua nova família são. Mas preste muita atenção nas minhas palavras, porque não vou repeti-las.

Ele engoliu em seco, ainda de joelhos, sem ousar desviar o olhar do meu.

— O apartamento continua no meu nome. Não vou te cobrar aluguel, nem vou te expulsar. No entanto, esta é a única ajuda que você receberá de mim — declarei, olhando fundo nos olhos dele, garantindo que ele entendesse cada sílaba. — A partir deste momento, os nossos caminhos estão definitivamente separados. Não me ligue. Não me procure no hospital. Não vá atrás da minha mãe. Adeus, Elias. Passar bem.

Dei um passo para trás, me desvencilhando do aperto frouxo das mãos dele no meu casaco. Virei as costas, destranquei o carro e entrei. Enquanto dirigia para fora do estacionamento, vi a figura dele encolhida no asfalto através do retrovisor, até que ele se tornou apenas um ponto distante e desapareceu.

[...]

Quando abri a porta do apartamento, o cheiro de comida caseira me recebeu. A minha mãe estava na cozinha terminando de preparar o jantar, cantarolando uma música antiga.

Encontrei Charles deitado confortavelmente no nosso sofá. Ele estava com um livro nas mãos, mas assim que me viu entrar, o rosto dele se iluminou com um sorriso que fez meu coração acelerar.

— Boa noite, esposa. Como foi o plantão? — ele perguntou, fechando o livro e se sentando para abrir espaço para mim.

Joguei a minha bolsa na poltrona e me joguei ao lado dele no sofá. Charles passou o braço pela minha cintura, me puxando para um beijo caloroso e demorado.

— Tomei uma decisão importante hoje. E acabei de entregar as chaves do meu antigo apartamento.

— Entregou as chaves? Para quem?

— Para o Elias. Eu vi na televisão que ele e o Simon declararam falência. Perderam tudo. Quando saí do hospital, o Elias estava me esperando no estacionamento, se ajoelhou implorando por um teto para não dormir na rua.

— E você deixou aquele homem morar lá? Depois de tudo o que ele fez a você?

— Eu deixei. Nós não precisamos carregar esse rancor. O problema é que, com ele morando lá, você não tem mais o seu esconderijo diário. Onde você vai passar os seus dias para manter a farsa de que está trabalhando?

Charles deu uma risada baixa e rouca, balançando a cabeça como se achasse graça da minha preocupação.

— Não se preocupe com isso, Isabel. Eu posso ir para a casa de um amigo. Fico por lá durante o dia, ajudando no que ele precisar, e volto no fim da tarde. Não será um problema.

— É só temporário. Vou comprar uma casa para a minha mãe e você pode voltar a passar o dia aqui.

— Ah, isso parece... ótimo.

[...]

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