Júlia Santos tinha plena certeza de que aquela não era a voz de José Matos.
Será que ela tinha entendido errado a indicação do barman?
Quando Júlia estava prestes a pedir desculpas, o homem tirou o paletó que cobria sua cabeça.
Ele ergueu o rosto, mostrando o pescoço longo e o pomo de Adão marcado; a camisa branca, perfeitamente ajustada dentro da calça social, realçava os ombros largos e a cintura fina — a postura relaxada, quase insolente, fazia tudo soar ainda mais provocante.
Ele abaixou o olhar para o lado e, antes que Júlia pudesse se preparar, seus olhos se encontraram. Ela se viu diante de um par de olhos brilhantes e profundos; os traços do rosto dele eram duros, o olhar afiado e, embora demonstrasse certo tédio, nada disso conseguia esconder o fato de que era absurdamente bonito.
Pronto, agora sim, era o fim. Por que tinha que ser Samuel Oliveira?
— Corajosa você, hein? — Samuel apoiou o cotovelo na têmpora e observou Júlia de cima a baixo, um sorriso divertido nos lábios. — Não imaginava que você teria coragem de me seguir até aqui.
Júlia ficou sem palavras.
Que mal-entendido gigantesco... Ela queria era ficar o mais longe possível daquele homem.
Júlia deu um passo para trás, depois mais um, abrindo distância entre eles sem hesitar.
— O senhor está enganado — apressou-se a explicar. — Eu só...
— Uau — Samuel interrompeu, com um sorriso malicioso. — Está tentando resistir, mas no fundo quer se aproximar?
Ela ficou muda.
— Tem métodos bem originais de seduzir, hein?
Samuel Oliveira era, sem dúvida, um mestre na arte de não se importar com nada e de ser autoconfiante ao extremo.
Júlia até reconhecia que aqueles olhos intensos poderiam fascinar praticamente qualquer mulher.
Mas ela, de fato, não tinha a menor intenção de seduzi-lo.
Júlia respirou fundo, tentou insistir na explicação, mas Samuel foi mais rápido.
— Uma entrevista exclusiva... Interessante.
Júlia franziu o cenho, surpresa com as palavras dele.



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