— Exatamente.
Com a resposta afirmativa, Vitória ficou ainda mais intrigada.
— O que essa garota queria afinal?
Se os dois tinham passado de uma paixão secreta mútua para um relacionamento oficial.
Por que ela o trairia logo depois de começarem a namorar?
E por que ela tentaria manipular a família Loureiro, fazendo-os acreditar que Antônio havia sido assassinado brutalmente por outra pessoa?
— Os detalhes exatos ainda precisam de uma investigação mais profunda, mas o que sabemos no momento é: a carta de suicídio de Antônio é, sem dúvida, forjada. O motivo pelo qual ele estuprou e matou Isador Vieira definitivamente não é o que está escrito ali.
Vitória assentiu, compreendendo.
De fato, a justificativa na carta de Antônio já parecia muito forçada antes.
— Então, nosso próximo foco de investigação será o terceiro elemento na relação entre Antônio e a namorada.
— Além disso, precisamos prestar atenção em...
Enquanto ouvia as falas de todos, as pálpebras de Vitória ficavam cada vez mais pesadas.
Ela já não andava dormindo bem ultimamente e, naquele ambiente focado, a concentração mental apenas intensificou sua exaustão.
Com um cheiro sutil de cedro sempre rondando seu nariz, a cabeça de Vitória pendeu e bateu em algo duro.
O impacto doeu um pouco. Vitória franziu a testa, hesitando se deveria abrir os olhos para ver o que era, quando sentiu alguém afagar sua cabeça com gentileza.
No passado, quando Vitória fazia birra e se recusava a dormir, era exatamente assim que a senhora Renata Mendes a acalmava.
Uma onda de familiaridade invadiu seu peito, e Vitória parou de lutar contra o sono, adormecendo rapidamente.
Na sala de reuniões, todos assistiram boquiabertos enquanto Vitória Lacerda dormia profundamente, encostada no ombro de Fernando Pereira.
Agindo como se nada estivesse acontecendo, Fernando fez um sinal com a mão para que todos fossem dispensados. A equipe entendeu o recado na mesma hora, guardou suas coisas na ponta dos pés e saiu da sala, olhando para trás a cada passo.
Sérgio Castro levou seu notebook de volta à mesa, mas, antes mesmo de se sentar, foi puxado pelo braço por um colega.
Ele virou o rosto e ouviu o outro perguntar:
— Ei, Sérgio, qual é a do nosso chefe com a Dra. Vitória?
Sérgio soltou o braço com impaciência e respondeu rudemente:
— Como é que eu vou saber?

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