— Me deixe na delegacia e vá para casa descansar.
Sem palavras extras de consolo, Fernando Pereira falou com a mesma naturalidade de quem comenta sobre o clima.
Mas os olhos de Pedro Vieira ficaram vermelhos.
— Eu, na verdade, estou bem...
Claro que ele não estava bem.
Embora a morte de Isador Vieira não tivesse relação direta com Pedro.
Ele continuava se culpando.
Acreditava que, se não tivesse tomado a iniciativa de chamar a prima para passear, aquela tragédia nunca teria acontecido.
E o fato de ninguém na família culpá-lo só piorava tudo.
Isso fazia com que Pedro sentisse uma rocha esmagando seu peito.
Na frente dos outros, ele não ousava demonstrar um pingo de fraqueza, mas agora, diante de Fernando Pereira, em quem confiava profundamente, sua vulnerabilidade e desespero transbordaram.
Fernando ouviu em silêncio, sem interromper.
Naquele momento, qualquer consolo seria inútil.
E não era disso que Pedro precisava.
Como esperado, depois de desabafar sobre a situação em casa, Pedro mudou de assunto e falou de Vitória Lacerda.
— Nunca imaginei que a Dra. Vitória se importaria tanto. Ela realmente faz jus à sua confiança.
Ao ouvir o nome de Vitória, Fernando ajeitou a postura no banco.
— O que vocês conversaram?
Pedro revelou tudo o que Vitória havia perguntado a ele mais cedo.
E então acrescentou:
— Quando eu estava de saída, ainda vi um entregador de flores sendo assediado.
Fernando ergueu uma sobrancelha:
— Um entregador de flores?
— Sim...
Pedro não deu muita importância a isso, comentou brevemente e logo perguntou sobre o progresso do caso.
— Já temos uma direção?
— Sim.
Fernando não revelou muitos detalhes, apenas disse que havia um grande avanço.

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