— Fernando, você não vai voltar para descansar? — perguntou Vitória Lacerda, surpresa.
— Posso esperar mais um pouco. — respondeu Fernando Pereira.
Vitória Lacerda não disse mais nada.
Os dois seguiram para a sala de interrogatório. Ao vê-los, os dois policiais de plantão reagiram como se tivessem encontrado seus salvadores.
— Dra. Vitória. Fernando.
Vitória Lacerda assentiu com a cabeça.
— Eu não tenho experiência com interrogatórios. Algum de vocês pode vir comigo?
— Eu vou. — disse Fernando Pereira.
Ele pegou o notebook e o gravador diretamente das mãos do policial.
— Podem ir para casa descansar.
Após mais de vinte horas de turnos exaustivos, a ideia de finalmente dormir era um alívio imenso. Os policiais sorriram, aliviados.
— Então nós já vamos indo!
Vitória Lacerda acompanhou os dois com o olhar até que sumissem no corredor. Só então entrou na sala de interrogatório ao lado de Fernando Pereira.
Assim que ouviu o barulho da porta, Isaque Cavalcanti abriu um sorriso enorme. Ele se levantou de um salto, pegou o buquê de flores e o estendeu na direção de Vitória Lacerda.
— Vitória, comprei essas flores para...
O sorriso morreu em seus lábios.
— Por que você está com ele de novo?
Ver Vitória Lacerda e Fernando Pereira entrarem juntos foi o golpe de misericórdia para o ego de Isaque Cavalcanti.
Ele jogou o buquê no chão com brutalidade. Seu rosto se contorceu em uma máscara de raiva e de uma dor forjada, como se ele fosse a verdadeira vítima de uma traição.
— Você fez isso de propósito, não foi? Só para me provocar, para me humilhar?
— O que significam os nossos sete anos juntos para você?
— O que eu sou para você, afinal?!
Vitória Lacerda revirou os olhos, achando aquela cena completamente patética.
— Ficou louco? Nós já terminamos há muito tempo!
— Que porra de término é esse?!
Isaque Cavalcanti deu um passo largo para frente, estendendo a mão para agarrar o pulso de Vitória. Mas antes que pudesse tocá-la, foi bloqueado impiedosamente pelo braço de Fernando Pereira.
— Sr. Isaque, controle as suas ações. — a voz de Fernando era fria e cortante. — Estamos em uma delegacia.

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