Isaque Cavalcanti fez questão de se arrumar bem em casa e ainda pagou uma taxa extra para uma floricultura preparar um buquê de urgência.
Pensando que Vitória Lacerda estaria com fome àquela hora, ele encomendou um banquete de um restaurante caro por aplicativo.
Chegou à delegacia carregado de sacolas e flores. Porém, antes mesmo de conseguir abrir a boca, foi levado direto para a sala de interrogatório.
Ao se deparar com a pequena mesa, a cadeira modesta e o ambiente completamente vazio, Isaque Cavalcanti ficou perplexo.
— Nós vamos conversar aqui?
— Sim. — O policial pegou um bloco de notas, preparando-se para o depoimento. — Geralmente os depoimentos são tomados aqui.
— Cadê a Vitória Lacerda?
Isaque Cavalcanti segurava o buquê de flores em uma mão e as embalagens do restaurante na outra.
Seu cabelo estava meticulosamente penteado para trás com gel, exibindo a testa perfeitamente alinhada.
O terno caro exalava o aroma de uma colônia de luxo.
Cada detalhe em sua aparência gritava sofisticação e elegância.
Pena que estava jogando pérolas aos porcos.
Ele vestido daquele jeito ali parecia nada mais do que um palhaço.
Mas o policial era profissional. Avaliou-o brevemente apenas no momento em que o recebeu.
Depois disso, ignorou completamente sua aparência.
— A Dra. Vitória está em reunião com a força-tarefa.
A mão de Isaque Cavalcanti apertou o buquê.
— Será que ela não pode vir tomar meu depoimento?
O policial franziu a testa:
— Sr. Isaque, o senhor se importaria de repetir as duas primeiras palavras do que eu acabei de dizer?
Isaque Cavalcanti não entendeu, mas obedeceu:
— Dra. Vitória?
— Ah, isso mesmo. Essas duas palavras.
O policial lançou um sorriso sarcástico para Isaque Cavalcanti.
— Embora a Dra. Vitória esteja participando da investigação, a especialidade dela é a perícia médica. Ela não é responsável pelos interrogatórios.
— Sr. Isaque, por favor, sente-se naquela cadeira. Vamos começar.

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