Assim que essas palavras saíram de sua boca, Vitória apertou os lábios, balançou a cabeça e corrigiu:
— Esquece. Boa noite, pessoal.
— Tchau, tchau!
Ela se despediu da equipe e caminhou até o elevador para descer à garagem subterrânea.
As portas de metal começaram a se fechar. Vitória encarava as pontas dos sapatos, a mente ainda processando os detalhes bizarros do caso.
De repente, um par de mãos invadiu a fresta do elevador. As portas, quase seladas, travaram com um solavanco e reabriram lentamente.
Vitória franziu a testa e levantou o olhar, encontrando um par de olhos escuros e profundos.
— Por que não me chamou?
Fernando Pereira entrou no elevador com total naturalidade.
Lançou um olhar rápido para o painel de botões e voltou a atenção para ela, num tom casual.
— Eu te levo.
Vitória enfiou as mãos nos bolsos, roçando o forro interno.
Ela queria dizer "não precisa".
Mas lembrou que suas recusas anteriores nunca haviam funcionado com ele.
Achou melhor ficar quieta.
Desceram em silêncio até a garagem. Fernando destravou o carro, e Vitória abriu a porta do carona, sentando-se.
— O que você acha do caso? — perguntou ele.
Vitória suspirou, balançando a cabeça:
— Nada, por enquanto.
Casos de incêndio eram sempre os mais infernais de investigar.
O fogo não perdoava. Podia transformar humanos em cinzas, imagine pistas delicadas.
Como médica legista, corpos carbonizados eram o seu maior pesadelo.
Havia tão pouco a ser extraído. Fazia com que ela se sentisse de mãos atadas, inútil.
— Na verdade, já temos uma lista sólida de suspeitos.

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