Fernando Pereira franziu as sobrancelhas, soltou um "ah" e não disse mais nada.
Vitória Lacerda notou de imediato um traço de irritação no tom de voz dele.
Mas não tinha tempo para se preocupar com o humor do capitão agora.
A fita de isolamento já havia sido estendida na entrada do prédio. Aquele horário, uma multidão de curiosos se aglomerava, sussurrando entre si.
Vitória colocou seu crachá e se preparava para entrar na cena do crime, quando captou um vulto familiar pelo canto do olho.
A pessoa também a viu.
Ignorando quem estava no caminho, Kelly Lacerda empurrou a multidão e avançou na direção dela.
— Cadê o Isaque Cavalcanti?
— Ele foi atrás de você ontem à noite, não foi?
Vitória franziu a testa.
— Srta. Lacerda, estou trabalhando. Por favor, retire-se.
Mas Kelly estava no auge do seu ataque de estrelismo e não queria saber de conversa. Ela avançou, tentando puxar o cabelo de Vitória.
— Para de fingimento, Vitória Lacerda!
— Que feitiço você fez para arrastar o Isaque para a sua casa? Você tem noção do pânico que eu passei quando esse lugar pegou fogo?!
Vitória arqueou uma sobrancelha. Encarando a mulher que parecia patética e agressiva ao mesmo tempo, ela empurrou a mão de Kelly com força. Seu tom de voz era puro gelo.
— Primeiro: eu e o Isaque já terminamos.
— Segundo: você é apenas a paciente dele. Se eu usei feitiço ou não, isso diz respeito à minha vida particular e à dele. Você não tem o direito de se meter.
— Terceiro: se o prédio pegou fogo, você deveria ligar para a polícia. Se está com medo, volte para casa e não atrapalhe o nosso trabalho.
Kelly não fez questão de baixar o volume, o que atraiu a atenção de todos os curiosos ao redor.
Ouvindo o discurso de Vitória, os olhares das pessoas alternavam entre as duas mulheres, ávidos pela fofoca que estava prestes a estourar.

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