A mente de Kelly Lacerda foi invadida por todo tipo de enredo bizarro de filme de terror.
Ela pegou o celular e ligou para Isaque Cavalcanti sem parar.
Mas fez várias tentativas e ele não atendeu nenhuma.
— Maldição! — praguejou várias vezes, até que finalmente decidiu ligar para a polícia.
Mas o atendente informou que, sem evidências de desaparecimento real, não podiam abrir um chamado.
Ainda tentou tranquilizá-la, dizendo: "Pegar um táxi de madrugada não é tão perigoso quanto a senhora imagina."
E, por fim, encerrou: "Se o seu namorado continuar incomunicável ou enviar um pedido de socorro, sugerimos que procure a delegacia mais próxima imediatamente."
Isso deixou Kelly Lacerda espumando de raiva.
Esperar o cara sumir ou pedir socorro para só então chamar a polícia não servia para porcaria nenhuma!
Ela desligou o telefone, inconformada.
Estava quase decidindo ligar para o próprio pai quando, finalmente, o celular tocou. Era Isaque Cavalcanti.
Com a raiva acumulada finalmente encontrando um alvo, Kelly atendeu disparando:
— Isaque Cavalcanti, você tem problema mental?! O que diabos você está fazendo no meio da madrugada?! Eu te aviso agora: volta para cá imediatamente, ou não me culpe se eu terminar com você!
A voz de Isaque soou carregada de um tom impotente do outro lado da linha:
— Desculpa, Kelly. Eu de repente lembrei de uma urgência que precisava resolver no hospital e saí correndo. Desculpa mesmo por ter te deixado aí sozinha.
— Já está tarde, por que você não vai para casa primeiro, tá bom?
— Assim que eu resolver as coisas por aqui, eu vou te procurar para pedir perdão, prometo. Fica calma, meu anjo.
Isaque deu um beijo barulhento no microfone do celular e encerrou a chamada.
— Alô?! Isaque Cavalcanti, volta aqui!
Ao ouvir o som mudo da linha cortada, Kelly percebeu que ele tinha desligado na cara dela. A fúria atingiu o limite.
Batendo os pés de raiva, ela deu meia-volta, subiu e entrou de novo no apartamento de Isaque.
Mandou ir embora? Pois ela não iria a lugar nenhum! Se Isaque Cavalcanti não lhe desse uma explicação convincente, ela faria da vida dele um inferno!
...
No banco de trás do táxi, Isaque Cavalcanti guardou o celular. Pelo canto do olho, notou que o motorista o observava pelo retrovisor. Ele forçou um sorriso constrangido:

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