Esfregando a cabeça latejante, Isaque Cavalcanti respirou fundo, sentindo a pontada.
Olhando para a escuridão do apartamento, ele estalou a língua com irritação e tateou as paredes até acender a luz da sala.
As batidas na porta não paravam. Isaque levou um tempo para conseguir se arrastar até lá e destrancar.
De cara, foi bombardeado pelas reclamações de Kelly Lacerda:
— Não tínhamos combinado de você me buscar depois do jantar com o pessoal do seu trabalho? Eu te esperei por quatro horas! Você não atende, não responde às mensagens! O que diabos você estava fazendo?
Ainda com os reflexos lentos, Isaque Cavalcanti soltou um "ah" atrasado.
— Eu esqueci.
Kelly Lacerda arregalou os olhos:
— Esqueceu? Como você ousa esquecer?!
Furiosa, ela empurrou Isaque para o lado e foi entrando.
— Esqueceu ou estava se pegando com a sua namoradinha e por isso não deu a mínima para mim? Isaque Cavalcanti, escuta aqui, foi você quem veio dar em cima de mim primeiro! Se eu descobrir que você está agindo pelas minhas costas, você vai ver só o que eu faço com você!
Isaque franziu a testa. As memórias fragmentadas pelo álcool começaram a voltar, e ele finalmente lembrou por que tinha bebido tanto sozinho no escuro.
— Chega!
Ele cortou a fala de Kelly Lacerda com brutalidade:
— Vai ficar enchendo o saco até quando?!
Kelly congelou. Olhou para ele incrédula, os olhos faiscando de raiva:
— Você está gritando comigo? Isaque Cavalcanti, você tem a coragem de levantar a voz para mim?
Isaque não estava com um pingo de paciência para mimar aquela garota mimada. Bagunçou os cabelos, frustrado, e tentou suavizar o tom, mas a voz ainda saiu fria e dura:
— Kelly, hoje eu não estava bem, bebi demais e perdi a noção do tempo. Não furei com você de propósito. Já está tarde, volta para casa e descansa. Amanhã eu te procuro para pedir desculpas direito.
Você acha que Kelly Lacerda aceitaria isso?

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