O estômago de Vitória Lacerda revirou violentamente.
Bem no momento em que ela hesitou se devia ou não lutar até a morte contra Jay, o estrondo de um tiro ecoou pelo ar.
Jay, que até um segundo atrás parecia um demônio ensandecido, desabou pesadamente no chão.
— Vitória!
Foi a única coisa que Vitória Lacerda ouviu antes de sentir seu corpo perder completamente o peso.
A sensação de queda livre a fez estender os braços instintivamente, enlaçando o pescoço da pessoa à sua frente.
O movimento brusco fez com que seus rostos ficassem a centímetros de distância.
Olho no olho, Vitória Lacerda viu a ansiedade e a preocupação transbordarem no olhar de Fernando Pereira.
Ela soltou um longo e trêmulo suspiro de alívio.
No fundo, ela sabia que Fernando Pereira, sendo capitão da força-tarefa, viria salvá-la de qualquer jeito.
Mas aquela expressão de desespero no rosto dele... Vitória Lacerda piscou, surpresa.
Fernando Pereira estava tão apavorado assim de perdê-la?
— Como você... — A pergunta de Vitória Lacerda morreu nos lábios ao notar que o olhar de Fernando se tornava cada vez mais estranho e fixo.
Seguindo a linha de visão dele, ela olhou para o próprio peito.
Só então percebeu que o vestido de noiva cerimonial, jogado às pressas sobre ela há pouco pelo assassino, havia se aberto com o solavanco do resgate.
Por baixo, o corpete vermelho-sangue estava à mostra.
Uma das alças de seda havia se soltado, expondo uma grande extensão de pele branca que subia e descia ao ritmo de sua respiração ofegante, exibindo uma curva tentadora.
Vitória Lacerda: "..."
Fernando Pereira pigarreou, desconcertado, e desviou o olhar abruptamente.
Vitória Lacerda puxou a gola do casaco em silêncio absoluto.
Após pensar um pouco, achou melhor tentar salvar sua dignidade com uma frase:
— Eu estou usando roupa por baixo do corpete.
— Ah. — respondeu Fernando Pereira, seco.
Vitória franziu a testa, frustrada consigo mesma.
A intenção dela era apenas esclarecer que não estava semi-nua.
Mas com aquela explicação forçada, por que a situação pareceu ainda mais bizarra e sugestiva?
Ela abriu a boca, mas não sabia mais como consertar.
Deixa para lá. Quanto mais se justifica, pior fica. Fernando Pereira também não parecia o tipo de homem que daria atenção a esses detalhes fúteis.
Pelo canto do olho, Fernando notou que o rosto de Vitória estava quase todo enrugado, como se ela estivesse profundamente atormentada por algum pensamento.
Ele hesitou por um segundo e, do nada, soltou:
— Eu vi.

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