De repente, a voz de Antônio se fez ouvir.
Lúcia só então percebeu que seu prato já tinha sido levado pela mulher para servir a sopa; porém, antes que ela terminasse, Antônio a interrompeu.
Íris recuou, contrariada, sem erguer o rosto, e saiu dali — embora desse para ver que não queria.
Antônio acompanhou a mulher com o olhar por um instante e então voltou-se para Lúcia.
— Essa sopa… é melhor você não tomar.
Antônio era muito atento; e Lúcia também sentiu que havia algo errado. A empregada estava zelosa demais com ela: não priorizava Alexandro, que era o anfitrião, nem cuidava das duas crianças — fazia questão de colocar os pratos bem na frente dela.
E havia algo furtivo no jeito.
— Mamãe, essa sopa está com um cheiro tão bom… deixa eu provar. — Denise, nesse momento, estendeu a colher na direção da tigela que Antônio havia tomado.
Mas, antes que chegasse à boca, Antônio a tirou das mãos com rapidez.
O movimento chamou a atenção de Alexandro na hora.
— O que houve?
— Tio, talvez eu esteja exagerando… mas aquela empregada pareceu estranha.
Antônio falou diretamente.
A expressão de Alexandro mudou. Ele não queria expor a vergonha da casa, mas Lúcia entendeu de imediato.
— Ela é a mãe da Noemi?
— Vocês se conhecem? — Alexandro ficou atônito ao ouvir isso.
Lúcia assentiu e contou, de forma breve, o atrito que tivera com Íris antes. Ela não imaginava que Alexandro ainda a manteria ao lado de Noemi.
— Tio, mesmo sendo a mãe da Noemi, eu acho que, pensando na Noemi, o senhor não deveria deixá-la ficar. Da outra vez, a Noemi quase sofreu um acidente… e foi a influência dela. Feridas psicológicas assim, numa criança, são difíceis demais de curar.
Lúcia falou por preocupação real, ponderando os riscos, sem querer se intrometer na vida de Alexandro.
Mas, ao ouvi-la, Alexandro ficou imediatamente sombrio.
— Você sabe do acidente da Noemi?
— Sei. Naquela noite fui eu e Santiago que salvamos a Noemi. Naquele dia eu e Santiago íamos procurar Aurélio Navarro… se eu soubesse antes que o senhor era o pai dela, nem precisaríamos ter voltado às pressas.
— Tio, isso já passou… nós ainda somos uma família…
— Não. Eu preciso pedir desculpas.
Dizendo isso, Alexandro curvou-se a noventa graus diante de Lúcia.
Lúcia correu para ajudá-lo a se levantar. Antônio, como se percebesse algo, interveio:
— Tio, será que ainda existe algum mal-entendido entre vocês que não foi esclarecido?
Alexandro olhou para Antônio e suspirou.
— Diretor Lacerda… por que você iria gostar de uma mulher como Adriana?
Ao ouvir isso, Lúcia ficou atônita.
Dias antes Alexandro ainda parecia proteger Adriana, mas aquela frase não soava como elogio.
— Tio, por favor, acredite em mim. Não existe nada entre eu e Adriana. O que eu senti por ela… foi apenas culpa.
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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: No Dia do Luto — Traição
Sim acabou a história???...