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No Dia do Luto — Traição romance Capítulo 426

Só quando a silhueta do homem surgiu entre luz e sombra é que Lúcia conseguiu ver com clareza… era Antônio de novo.

Ele vinha apressado. Embora fosse a primeira vez ali, movia-se com a familiaridade de quem estava em casa e foi direto sentar-se no lugar ao lado de Lúcia.

— Desculpe, tio, o trânsito estava pesado. Cheguei atrasado.

Antônio falou com Alexandro num tom casual, como se fosse natural.

Alexandro também não fez cerimônia.

— Antes na hora certa do que cedo demais. Comer comida quente vale mais do que qualquer coisa.

— O senhor tem razão. — Antônio respondeu, neutro.

Só então olhou para Lúcia.

— Você esteve muito ocupada hoje? Eu liguei o dia inteiro e você não atendeu.

— Antônio, quem mandou você vir? — Lúcia baixou a voz; mal conseguiu sustentar a expressão no rosto.

Ela estivera de bom humor. Sem levantar um dedo, apenas graças à relação da filha, ela enfim removera o maior obstáculo no caminho da herança…

Mas a aparição de Antônio derrubou sua emoção a um gelo imediato.

Quando voltou os olhos para Denise e viu a menina de cabeça baixa, sem coragem de encará-la, Lúcia entendeu tudo.

Foi obra daquela pequena traidora!

— Uau! Denise, seu pai é mesmo muito bonito! — Noemi, apesar da timidez, resolveu ajudar Denise e disse, com esforço.

E era sincero. Quando Antônio entrou, Noemi ficou olhando sem piscar.

Parecia um astro saindo da tela e entrando na vida real.

O próprio pai dela também era bonito, mas a idade era outra, e a presença, o temperamento, tudo tinha outra natureza.

A beleza de Antônio era de ídolo, só que com algo que muitos rostos famosos não tinham: uma aura mais rica, madura, contida, de luxo discreto, com um peso no olhar que dominava o ambiente.

— As meninas estão olhando. Eu só vim jantar um pouco. Isso não é demais, é? — Antônio sorriu para Lúcia, também com a voz baixa; o grave aveludado parecia deslizar direto até o fundo do peito.

Nesse momento, Íris entrou de cabeça baixa, trazendo uma panela de canja de galinha com um caldo espesso.

Ela evitava levantar os olhos, sem dizer uma palavra, temendo chamar atenção.

Alexandro a notou, mas não comentou. Apenas Noemi lançou um olhar tímido para ela, e o sorriso da menina endureceu.

O medo que Noemi tinha de Íris era quase instintivo. Mesmo com o acompanhamento do psicólogo, mesmo com Alexandro repetindo que, dali em diante, a relação entre mãe e filha seria de igual para igual, toda vez que via Íris Noemi ficava desconfortável — e, às vezes, culpada.

Íris deslocou a panela e a colocou mais perto de Lúcia.

Foi esse movimento que fez Lúcia olhar de relance para ela. Mas Íris mantinha a cabeça tão baixa que Lúcia não conseguiu ver seu rosto com nitidez.

Ainda assim, Lúcia pareceu lembrar de algo e, por reflexo, olhou para Noemi.

Como esperado, Noemi ficou inquieta. Alexandro, porém, não deu importância; pelo contrário, voltou a servi-la.

— Não precisa servir a sopa. Nós mesmos nos servimos.

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