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No Dia do Luto — Traição romance Capítulo 423

Carinho tardio valia menos que capim; e um coração forçado não era coração.

Antônio podia dizer o que quisesse, mas o olhar dele não mentia.

E Lúcia também não queria amor. O que ela queria era que o problema desaparecesse de vez.

Na manhã seguinte.

Depois de deixar Denise na escola, ela viu, ao lado do seu lugar, uma figura conhecida.

Mas não era sua colega de sempre.

Chegando mais perto, Denise se espantou.

— Noemi Ramos?

— Denise! — Noemi se levantou e abraçou Denise com força.

Nesse tempo, Alexandro Ximenes a mantivera em casa para se recuperar, sem deixá-la sair. Ela já estava sufocada. Assim que os exames ficaram todos bons, o primeiro pedido foi voltar à escola: ela queria encontrar Denise, sua única amiga.

Denise ficou radiante, puxou Noemi para um canto e começou a perguntar de tudo.

Ela ouvira da mãe o que acontecera com Noemi e se preocupara bastante. Mas, sabendo que o pai a tinha buscado, se tranquilizara.

— Eu achei que nunca mais ia te ver. Você está diferente!

Denise segurou a mão de Noemi e a examinou de cima a baixo várias vezes.

Noemi realmente mudara: antes, o rosto amarelado e o corpo magrinho; agora, estava um pouco mais cheinha, com a pele clara e corada. Com roupas bonitas, parecia ainda mais uma princesinha do que a própria Denise.

— Diferente? — Noemi tocou a bochecha, envergonhada.

Denise assentiu, sorrindo.

— Diferente! Mas mais bonita! Seu pai deve cuidar muito bem de você, né?

— Sim, meu pai cuida muito, muito, muito! — Noemi falou com felicidade, erguendo o queixo e sorrindo.

Alexandro não só a tratava bem, como atendia a tudo o que ela pedia. Como naquele dia: voltar à escola tinha sido uma permissão especial, e Noemi ainda pedira para mudar para a turma de Denise.

— Ah… sua mãe tem tempo hoje à noite? — Noemi olhou para Denise, cheia de expectativa. — Eu disse que queria convidar minha melhor amiga para jantar, e meu pai falou que queria chamar vocês lá em casa!

— Eu não sei… — Denise fez uma careta, sem jeito. — Você não viu as notícias? Minha mãe agora é uma pessoa bem famosa!

Trabalho nenhum era mais importante do que a alegria da filha. E, além disso, ela ainda precisava se preparar para o futuro, pensando na guarda de Denise: quanto mais tempo pudesse passar com a menina, melhor.

Enquanto isso, na Torre Lacerda, Antônio saiu apressado do elevador.

Nos últimos dias, a cabeça dele não estava no Grupo Lacerda, e sim em Lúcia. Antes mesmo de terminar o expediente, ele ligara para ela, querendo jantar juntos.

Mas Lúcia estava ocupada: não atendeu nem respondeu. Por isso Antônio encerrou a reunião mais cedo, decidido a ir pessoalmente até a NEVER buscá-la.

Só que, ao sair da Torre Lacerda, ele viu Adriana esperando do lado de fora, como se estivesse ali havia muito tempo.

Ela estava vestida de maneira discreta, com os olhos vermelhos e uma expressão abatida, exausta.

Antônio parou na hora e lançou um olhar a Orlando. Orlando entendeu de imediato e foi na direção de Adriana com dois seguranças.

Antônio, por sua vez, recuou e seguiu por outro caminho, indo ao estacionamento.

Adriana se aproximou de Orlando, mas, antes que ela abrisse a boca, ele a cortou:

— Sra. Pessoa, acredito que o senhor já foi bem claro. Pelo bem da reputação de ambos, por favor, não volte mais aqui.

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