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No Dia do Luto — Traição romance Capítulo 415

Mas Antônio permaneceu sentado no sofá ao lado. Olhou o relógio de pulso e disse:

— Hoje não tenho nada urgente na empresa. Depois do expediente, vamos buscar a Denise juntos.

Como se temesse uma recusa, acrescentou:

— Se é para encenar, encenemos direito. A coletiva acabou agora; estão nos vigiando de perto. Pelo menos deixemos os repórteres fotografarem algo que pareça real.

Lúcia pensou por um instante e, contrariada, respondeu:

— Eu ainda tenho trabalho.

E era verdade. Ainda estava cedo; numa empresa recém-criada, ela era muito mais ocupada do que Antônio.

— Eu espero.

Antônio falou sem pressa, a voz calma.

Lúcia lançou-lhe um olhar e não respondeu. Pegou os documentos e saiu do escritório.

Ao abrir a porta, viu várias pessoas aglomeradas no corredor; ao notarem sua presença, se dispersaram imediatamente.

Apenas a assistente, nervosa, seguiu ao lado de Lúcia, relatando os assuntos mais importantes do dia.

Lúcia foi para outra sala de reunião para trabalhar. Ligou o computador e, por reflexo, conferiu a repercussão online.

A coletiva da Família Ximenes, com ela e Antônio, realmente virara o assunto mais comentado.

“A herdeira da Família Ximenes aparece pela primeira vez; casal unido desmente boatos!”

“O verdadeiro nome por trás da NEVER é a herdeira bilionária da Família Ximenes!”

“Presidente do Grupo Lacerda ‘mima a esposa’: beijo doce diante das câmeras.”

Quanto mais lia, mais absurdo parecia. Embora a imprensa, em bloco, ajudasse a vender o romance dos dois, aquelas notícias deixavam Lúcia inquieta, irritada.

Mas, ao que tudo indicava, a manobra funcionara.

As ações da Família Ximenes e do Grupo Lacerda subiam; a crise anterior virara propaganda gratuita. Até o valor de mercado e o volume de pedidos da NEVER dispararam, e parceiros passaram a disputar espaço.

— A senhora e o senhor combinam muito...

Vendo Lúcia concentrada no trabalho, a assistente murmurou, incapaz de se conter:

— Da última vez que eu o vi, eu já pensei isso... e não imaginava que era mesmo...

Enquanto falava, o rosto dela foi ficando vermelho.

Nesse meio-tempo, Verônica apareceu. A agenda dela não estava cheia naquele dia; ela viera de propósito. Em parte, preocupada com Lúcia; em parte, para esclarecer o que sabia sobre aquela crise.

Embora a Família Ximenes não tivesse boas intenções com Lúcia, Verônica era uma das pessoas que sabiam do casamento.

Ela temia que, por causa do que acontecera antes, Lúcia desconfiasse dela.

Mas, assim que Verônica chegou, Lúcia entendeu a intenção:

— Eu sei que não foi você. Não precisa explicar.

— Eu acreditar é uma coisa. Eu explicar é outra.

Verônica foi direta:

— Eu acho que foi Branca e Leonardo.

— Está na cara. O Leonardo me ataca e, nisso, também tem você.

Lúcia e Verônica sabiam: os métodos dos dois não tinham nada de sofisticado; era quase um jogo aberto.

Mas, de certo modo, era melhor assim. Com eles na linha de frente, bastava resolver Branca para que os outros passassem a pensar duas vezes.

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