— Entendeu errado? Então me diga: entendeu errado o quê?
Lúcia se interessou. Apoiada no canto da mesa, encostou o rosto na mão e inclinou a cabeça, erguendo a sobrancelha para Antônio.
E ele não falava só por falar.
Depois do episódio na delegacia, ele de fato esclarecera muita coisa.
O sequestro de Denise, embora com provas insuficientes, tinha pistas apontando para Adriana e Roberta Paz.
Se Adriana fora capaz de tocar em Denise, então o caso do perfume não podia ter sido coincidência.
Naquela noite, Santiago procurara Antônio e escancarara, uma por uma, as sombras do passado de Adriana.
Ela estudara psicologia no exterior. Ao voltar, comprara vários livros de psicologia infantil. Desde o momento em que se aproximara de Antônio e de Denise, tudo fora planejado.
Adriana nunca fora uma florzinha inofensiva.
Antônio tampouco confiava tanto nela; apenas, por culpa em relação ao professor, ele se recusara a enxergar.
Mas agora já não podia fugir do que sentia.
Ele não conseguia ser racional, não conseguia esfriar a cabeça, nem lembrava como pesar ganhos e perdas...
Porque, no vai e vem desses dias, a própria inquietação repetia a mesma coisa: ele não queria perder Lúcia.
Eles assinaram o acordo.
O documento determinava que, antes de a opinião pública se acalmar, Antônio não poderia adotar nenhuma conduta que afetasse a imagem de Lúcia; deveria manter sigilo e cooperar integralmente; e qualquer conflito deveria priorizar os interesses dela.
Determinava também que o término do contrato — a palavra final para encerrar aquilo — ficaria nas mãos de Lúcia.
Para que o acordo desigual parecesse menos desigual, durante esse período Lúcia também cumpriria alguns deveres de esposa, como prestar auxílio em situações de necessidade e fazer tarefas domésticas simples.
Ou seja: bastava que Lúcia, de vez em quando, fizesse um pouco de serviço em casa.
Quando viu Antônio assinar, Lúcia enfim relaxou por completo. Ela acompanhou o advogado até a saída e, com um gesto, indicou que Antônio já podia ir embora.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: No Dia do Luto — Traição
Sim acabou a história???...