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No Dia do Luto — Traição romance Capítulo 412

— Diretor Lacerda, se vocês não pretendem se divorciar, por que existiam documentos de divórcio?

— Diretor Lacerda, o senhor sempre manteve o casamento em sigilo. Se realmente gosta tanto da Sra. Paiva, por que não tornar público?

— A senhora e o senhor só apareceram para sustentar a relação por causa da pressão da opinião pública?

— ...

Diante de perguntas tão maldosas, Lúcia simplesmente desistiu de falar e deixou que ele conduzisse.

Afinal, aquelas revelações não tinham surgido do nada. Ela também queria ver como Antônio daria conta.

Mas o homem estava muito mais sereno do que Lúcia imaginara.

— Eu já disse: a denúncia não é verdadeira. Relações inventadas, eu nem tenho como “esclarecer”. Mas, já que é mentira, vamos responsabilizar quem espalhou e daremos uma resposta a todos.

— Quanto aos documentos de divórcio... assim como não existe casal que nunca discuta, também não existe casamento que nunca fale em se separar. Se não fosse porque nos importamos, nosso vínculo não teria durado tanto.

Ao dizer isso, Antônio virou o rosto e lançou a Lúcia um olhar carregado de afeto.

Lúcia sentiu um pressentimento incômodo, mas não teve tempo de reagir: ele a segurou pela nuca e tocou os lábios dela num beijo breve.

— ...

Lúcia beliscou com força a lateral da cintura dele, como se quisesse arrancar um pedaço. Antônio respirou mais pesado, claramente doendo, mas manteve a expressão suave.

— Eu mantive o casamento em sigilo porque queria ficar bem com minha esposa, sem interferência externa. Afinal, ela não é uma pessoa comum, e eu também não sou.

— Uma denúncia plantada de propósito, como essa, já prova que manter o sigilo foi uma decisão sensata.

Antônio costumava falar pouco, mas naquele dia estava surpreendentemente hábil.

Embora cada palavra soasse ridícula aos ouvidos de Lúcia, para os repórteres famintos por manchete, aquilo era uma resposta excelente.

— Vamos redigir o acordo agora. Vou chamar o advogado.

Lúcia já ia telefonar, mas Antônio a impediu.

— Você precisa mesmo ter tanta pressa? Eu te ajudei a atravessar a crise. Você não devia me agradecer primeiro?

— Eu agradeço, sim. Se não fosse por você, também não existiriam tantas “denúncias” absurdas.

Lúcia soltou um riso frio, sem qualquer piedade na ironia.

— Eu também tenho coisas para conversar com você. Não precisa me tratar como inimigo. A gente pode falar com calma, sem hostilidade?

Antônio soltou um riso pelo nariz, impotente.

Ele finalmente entendia: quando alguém se dobrava uma vez, e depois outra, não era só capaz de se rebaixar ao pó — era capaz de se rebaixar até não sentir mais nada.

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