Santiago ficou um instante paralisado; Antônio também voltou o rosto para fitá-lo.
— Desta vez, obrigado.
Antônio disse aquilo num tom neutro e já deu um passo para ir embora.
Santiago falou, grave:
— Se você a fizer sofrer de novo, eu farei toda a Família Lacerda pagar o preço junto.
— Primeiro cuide de você mesmo. — Antônio não olhou para trás; havia escárnio na voz. — Há sentimentos que não podem ver a luz do dia e que já deviam ter parado na medida certa.
Santiago: “...”
Quando Antônio chegou à parte de fora do salão de recepção, Lúcia já o esperava num canto junto à porta.
Ela mantinha as mãos pressionadas ao lado das coxas, e a silhueta inteira parecia tensa.
Antônio parou. A Lúcia de agora tinha uma presença firme e afiada; a doçura de antes se apagara, substituída por uma camada fria e decidida, como uma armadura. Ainda assim, aquele dorso fazia doer.
Porque, antes ou agora, ela continuava igual: teimosa, orgulhosa, incapaz de aceitar perder.
Só que ele, até então, é que a enxergara de verdade — nos olhos e no fundo do peito.
— ...Antônio!
Lúcia sentiu o corpo ser tomado por trás num abraço súbito. Assustou-se, mas se conteve para não gritar.
Debateu-se com força por duas ou três vezes. As mãos de Antônio se prenderam diante do peito dela, afrouxaram, e então ele agarrou a palma dela e a virou de frente, obrigando-a a encará-lo.
— Daqui pra frente, eu caminho com você. O que você quiser fazer, eu vou ajudar a realizar.
— ...
Lúcia franziu a testa. Por instinto, quis rebater, mas aquela frase a atingiu em cheio, e por um momento ela não soube onde pôr as mãos, nem o que dizer.
Antônio continuava com o braço firme sobre os ombros dela. Antes que ela falasse, ele já se pronunciara:
— O que circula na internet sobre mim e minha esposa é falso. Nós não vamos nos divorciar.
— Eu e minha esposa crescemos juntos. Eu não tenho essa “paixão idealizada” de que falam. Se eu tiver uma, é apenas ela.
— ...
Lúcia olhou para Antônio. Sob o lustre, os traços dele pareciam perfeitos demais, como uma obra lapidada — perfeição que, por isso mesmo, soava irreal.
Ele sorria de leve e falava com elegância, de um jeito que tornava impossível distinguir o verdadeiro do encenado.
Ao ouvir aquilo, os repórteres se animaram, e as perguntas afiadas vieram em sequência:
— Se é assim, que relação o senhor tem com a outra moça citada na denúncia?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: No Dia do Luto — Traição
Sim acabou a história???...