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No Dia do Luto — Traição romance Capítulo 350

Ao ver Antônio, o sorriso de Lúcia desapareceu num instante.

Ela largou Denise no chão e olhou para o homem, o olhar, frio e incisivo.

— Antônio, você virou carrapato?

Ela não entendia o que ele pretendia, seguindo-a desde a França até ali.

Antônio já esperava que ela não lhe desse um rosto amigável. Manteve a calma.

— Denise sentiu sua falta. Eu comprei muita coisa que você gosta.

— Coisa que eu gosto?

Lúcia quase riu. Ele nem sabia do que ela gostava.

Mas Denise revirou as sacolas, fazendo os pacotes estalarem.

— É verdade! O papai comprou um monte de coisas que a mamãe gosta!

Lúcia lançou um olhar de lado para as compras. E, de fato, havia ali ingredientes que ela costumava preferir, além de alguns lanchinhos mais difíceis de achar — coisas de que ela gostava antes.

Só que... fazia muito tempo que não comia aquilo.

— Vamos entrar e conversar. — Antônio viu a hesitação e acrescentou: — Eu e a Denise estamos aqui fora há um bom tempo.

Por Denise, embora contrariada, Lúcia abriu a porta.

Já que Antônio tinha vindo, era inevitável que conversassem.

— O que você quer comer?

Assim que entrou, Lúcia pegou uma das sacolas de Antônio e perguntou a Denise.

Denise inclinou a cabeça, pensando.

— Qualquer coisa! Se for a mamãe que fizer, eu gosto!

— Mas hoje eu estou um pouco cansada, não estou com vontade de cozinhar... que tal algo mais simples?

Lúcia falou sem pensar.

E, ao terminar, ela mesma se surpreendeu.

Antes, bastava Denise dizer que queria comer a comida dela: mesmo doente, ela iria para o fogão.

— Papai? — os olhos de Denise brilharam, mas logo ela franziu a testa, desconfiada. — O papai cozinha... fica gostoso?

Desde que nascera, Denise nunca tinha comido nada feito por Antônio.

Na lembrança dela, até quando ele ia à cozinha só para esquentar algo, Dona Sandra dizia: “Isso não é coisa para o senhor fazer”.

Como se o pai tivesse nascido para não entrar na cozinha.

A mão de Antônio parou no ar, ele quase se engasgou.

Ele olhou de soslaio para Lúcia. A expressão dela era claramente provocação.

— Se não tentar, como vai saber? — Lúcia curvou os lábios. — Seu pai é tão competente. Isso não vai ser difícil para ele, vai?

— Isso! O papai é competente, então a comida vai ficar gostosa!

Ao ouvir a mãe, Denise recuperou a confiança em Antônio.

Antônio não queria cozinhar, mas, antes que pudesse abrir a boca, Lúcia e Denise já tinham se alternado, sem lhe dar espaço.

Lúcia começou a vasculhar as sacolas e puxou vários ingredientes.

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