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No Dia do Luto — Traição romance Capítulo 349

Pelo temperamento de Branca, ela jamais aceitaria ficar numa posição passiva, por isso, a ausência dela naquele dia pareceu ainda mais estranha.

— Talvez o sumiço do Leonardo também tivesse sido de propósito.

Lúcia pensou por um instante.

Verônica se afobou.

— E se eles continuarem se escondendo e nunca aparecerem? Então isso vai acabar em nada!

— É possível. — Lúcia achou que a própria calma já tinha sido bem treinada. — Mas, se não aparecerem, melhor ainda. Assim ninguém atrapalha a gente.

Verônica ficou muda por um segundo. Aquilo, de fato, fazia sentido.

— Se vierem, a gente enfrenta. Se não vierem, a gente segue. Um passo de cada vez.

Lúcia bateu de leve no ombro de Verônica, como quem a tranquilizava.

Verônica estava mesmo tensa. Depois do que Leonardo aprontara, ela tinha ficado com uma sombra na cabeça.

— Hoje...

Verônica lembrou de algo, abriu a boca e, no mesmo instante, fechou os lábios, engolindo as palavras.

— Se você quer dizer alguma coisa, diga.

Lúcia pareceu enxergar o que Verônica guardava. Havia uma clareza no olhar dela, refletindo o nó que não se desfazia entre as sobrancelhas de Verônica.

— N-nada. Não é nada.

Verônica não continuou, e Lúcia não insistiu.

Mas as duas se entenderam sem precisar falar: Lúcia sabia perfeitamente o que Verônica não tivera coragem de dizer.

Naquele dia, quem evitara as duas não tinha sido só Branca. Santiago também.

O fato de Verônica ter sido salva não fora coincidência, ela apenas não ousara pedir a Lúcia que confirmasse se tinha sido a pessoa que ela imaginava.

E, fora ele, não poderia ter sido mais ninguém.

Mas, mesmo que Santiago a tivesse salvado, o que isso provava? No fim, teria sido por Lúcia e Lorenzo.

Verônica achou que era mesmo sem dignidade: a pessoa que ela devia esquecer era justamente a que ela não conseguia apagar.

Por fim, tudo pareceu entrar numa pausa, e Lúcia finalmente pôde voltar cedo para casa e descansar.

Não imaginara que, antes mesmo de ir vê-la, Denise apareceria por conta própria.

De certo modo, foi como se as duas corressem uma para a outra.

— Não estou! A Denise não está brava! A Denise só quer a mamãe!

Denise franziu as sobrancelhinhas e balançou a cabeça com força, como um chocalho.

— E a mamãe também só quer a Denise.

Lúcia se comoveu e encheu as bochechas macias da filha de beijos estalados.

— Você voltou.

Mas, quando ia entrar com a menina, viu que ainda havia alguém parado junto à porta.

Antônio, raramente sem terno, usava um conjunto casual de alto padrão, confortável. Com os braços marcados pelas veias, carregava duas sacolas grandes, visivelmente pesadas.

— Mamãe! Foi o papai que me trouxe pra te ver. Eu queria comer a sua comida... e o papai comprou um monte de coisas gostosas!

Denise estava empolgada, mas, ao falar, observou cuidadosamente a expressão de Lúcia.

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