Ela conhecia muito bem os próprios pais.
Se não tivessem segundas intenções, não ligariam para ela àquela hora. Além disso, começaram a conversa perguntando se a barriga dela já tinha dado sinal.
Sabrina estava muito irritada e sem paciência para rodeios.
— Sabrina, você sabe que o seu irmão Beto arrumou uma namorada este ano, não é? — Sônia deu uma risada sem graça ao ver que a filha fora tão direta.
Sabrina já sabia o que Sônia diria a seguir apenas por ouvir aquela frase. Ela apertou os lábios e não respondeu.
— A moça exige um dote e uma casa. Se faltar um dos dois, ela não se casa com o seu irmão. — Sônia continuou, e então começou a reclamar: — As mulheres de hoje em dia são muito interesseiras, só pensam em dote e casa, só querem saber de dinheiro.
— E o que mais ela iria querer? Se não for pelo dinheiro, vai ser pelo quê? Pelo fato de o Beto não servir para nada ou por ele ser gordo como um porco? — Sabrina deu uma risada fria.
Se fosse ela, sem uma garantia material absoluta, também não aceitaria se casar com um inútil e idiota como Beto.
— Não fale assim, o Beto pelo menos tem um bom emprego! É um trabalho fácil e ele ganha bem. — Essa frase tocou na ferida de Sônia, que se ofendeu na mesma hora.
— Não se esqueça de como o Beto conseguiu esse emprego! — Sabrina elevou a voz.
O emprego de Beto havia sido conseguido graças aos contatos e favores de Jorge no passado.
Agora que o casamento dela com Jorge estava em crise e ela passava por dificuldades na família Cavalcanti, não tinha cabeça para se preocupar com Beto. Se ela perdesse o posto de Sra. Cavalcanti, aquele emprego do qual Beto tanto se orgulhava também desapareceria.
Sônia, é claro, sabia disso, então suavizou bastante o tom de voz, mas seu objetivo principal continuava o mesmo.
— Sabrina, na nossa família Saraiva, só você tem capacidade. E você é a irmã mais velha, o Beto é o seu único irmão, o casamento dele é um assunto importante, você não pode virar as costas.

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