Ela não esperava que Sebastião Santos, aquele homem, agisse antes dela.
— Então, quando eu estava na casa do professor e você me ligou, era sobre isso? — ela perguntou.
Sebastião Santos não respondeu diretamente, mas disse com uma voz um pouco fria e firme:
— Zelinda tem muita experiência e conhece você. O mais importante é que ela é digna de confiança. Ficar ao seu lado para ajudá-la a cuidar de Pérola é a escolha mais adequada.
— É verdade. Eu não cuidei de crianças nos últimos anos, mas vou me esforçar muito para fazer um bom trabalho. — Zelinda agachou-se com um sorriso e pegou a pequena Pérola no colo com um gesto acolhedor. — Pequena Pérola, fui eu quem cuidou da sua mamãe quando ela era criança, sabia?
A pequena Pérola era muito sensível a emoções e más intenções. Ela conseguia sentir a atitude de Alice Almeida em relação a Zelinda, assim como a bondade que emanava da mulher mais velha.
Por isso, ela não resistiu quando Zelinda a abraçou.
Assim como não havia resistido quando Alice Almeida a abraçou pela primeira vez.
Ao ver que a pequena não a rejeitava, Zelinda ficou feliz e caminhou em direção ao quintal com Pérola nos braços.
— Vamos, a vovó Zelinda vai levar você para dentro primeiro.
Depois que Zelinda se afastou com a pequena Pérola, Daniel Duarte, com muito tato, sentou-se no banco do motorista.
No portão, restaram apenas Alice Almeida e Sebastião Santos, frente a frente.
— Obrigada. — Alice Almeida disse sinceramente. A chegada de Zelinda veio como uma ajuda que ela precisava desesperadamente.
— Alice Almeida, não quero o seu obrigado. — O homem baixou o olhar para ela, com sentimentos confusos se mexendo dentro dos olhos. No entanto, ao encontrar o olhar cintilante de Alice Almeida, ele suspirou levemente. — Deixa para lá. Quando você terminar de resolver as coisas da Pérola e estiver mais tranquila, nós conversamos.
Alice Almeida sabia a que Sebastião Santos se referia com aquele "conversamos", e assentiu.
— Tudo bem.
……
Mansão da família Santos, residência da segunda ramificação.
Quando Dona Helena Horta abriu a porta e entrou, Natália Santos estava em seu escritório, correndo para terminar sua tese.
Ao ver a mãe entrar sem bater, ela demonstrou grande insatisfação.
— Mãe, quantas vezes eu já disse para bater antes de entrar?
Dona Helena Horta a ignorou e sentou-se, com uma expressão preocupada.

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