Ao perceber que Pérola não estava ao seu lado, a cabeça de Alice Almeida zumbiu.
Ela olhou para os móveis familiares do quarto, para as cortinas que se abriam automaticamente no mesmo horário todos os dias, para a luz do sol que entrava pela janela, e para o quarto enorme onde só estava ela.
Por um instante, ela ficou desorientada.
Será que ela realmente tinha encontrado a sua filha? Será que todo aquele tempo e tudo o que aconteceu na serra tinham sido só um sonho?
Agora ela acordou, e nada daquilo havia acontecido.
Ela engoliu em seco com dificuldade, sentindo um nó na garganta e uma amargura no coração.
Nesse momento, o som da descarga veio do banheiro do quarto.
Os olhos de Alice Almeida brilharam, e, sem nem se importar em calçar os sapatos, ela saltou da cama e correu direto para o banheiro.
Assim que chegou à porta, ela esbarrou na pequena Pérola, que estava saindo:
— Pérola...
Ao ver a criança que aparecia tão real diante dela, e aqueles olhos perdidos e desamparados, os olhos de Alice Almeida ficaram vermelhos na mesma hora.
Ela se agachou e abraçou a criança com força.
Ela admitiu que estava vendo perigo em cada sombra, que estava nervosa demais.
Mas ela não tinha escolha, não conseguia se controlar.
Não era só a Pérola que precisava se adaptar, ela também precisava.
A pequena Pérola, abraçada de repente, enrijeceu seu corpinho por um momento, mas logo retribuiu o abraço de Alice Almeida:
— Desculpa...
Ao ouvir o pedido de desculpas da criança, Alice Almeida ficou surpresa, rapidamente enxugou as lágrimas e abriu um sorriso gentil:
— Desculpa, Pérola, a mamãe ficou nervosa. Eu te assustei?
A pequena Pérola se virou e apontou para o vaso sanitário inteligente no banheiro:
— Dá descarga, que legal.
Acontece que a pequena Pérola acordou com vontade de ir ao banheiro. Ela se lembrou que na noite anterior a mãe a tinha levado para usar aquele vaso sanitário. Ela estava com um pouco de medo, mas não queria acordar a mãe, que dormia muito pesado. Então ela tomou coragem e sentouse sozinha.
Só depois percebeu que não sabia dar descarga. Sentada lá, ela quebrou a cabeça pensando por um bom tempo, mas não teve coragem de tocar nos botões.
Ela ficou sentada no vaso por um longo tempo, até ouvir a voz da mãe lá fora, e então desceu apressada.
Mas, assim que desceu, o vaso deu descarga automaticamente.


Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Não Quero Mais Ser A Sra. Cavalcanti!