A mão de Jorge, que segurava o celular, tremia sem parar. Os seus lábios se abriam e fechavam sem conseguir formar frases: — Você... vocês dois...
Sebastião segurava o celular, ouvindo a voz ofegante de Jorge: — Diretor Cavalcanti, você acabou de dizer que tinha algo a falar sobre a criança, certo? Pode falar comigo, dá no mesmo.
Jorge não conseguia pronunciar uma palavra; sentia apenas como se seu coração estivesse sendo consumido pelo fogo.
Sebastião esperou de propósito por alguns segundos. Vendo que Jorge não dizia nada, soltou um riso leve e, em seguida, desligou a chamada.
Alice voltou com a água e, ao ver Sebastião segurando seu celular, sua expressão congelou.
Com uma expressão serena, Sebastião pegou a água, deu um pequeno gole e jogou o celular de volta para Alice: — O telefone não parava de tocar agora há pouco, então atendi por você.
Alice verificou o identificador de chamadas e, ao ver que era uma ligação de Jorge, as sobrancelhas que estavam levemente franzidas relaxaram um pouco.
Ela não demonstrou nenhuma emoção em particular, apenas disse friamente: — De agora em diante, não atenda minhas ligações sem permissão.
— Tudo bem. — Sebastião sorriu e tomou um grande gole de água.
Hm, essa água estava até bem doce.
Alice olhou sem palavras para a expressão radiante, e até um tanto atrevida, de Sebastião.
Ela não conseguia entender; era apenas um copo de água, não o néctar dos deuses. Havia necessidade daquela expressão?
Por outro lado, no escritório, o humor de Jorge não estava nada bom.
Ele encarou sombriamente o celular que havia sido desligado por Sebastião, soltou um rugido e bateu o aparelho com força na mesa.
Em um instante, a tela se estilhaçou, e os fragmentos que saltaram acabaram atingindo seu rosto, arranhando sua bochecha.

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