Alice Almeida estava apenas esperando confirmar sua guarda para mudar imediatamente o nome de Gabriela.
A partir de então, a criança adotaria o sobrenome Almeida, seguindo o seu, e no futuro seria apenas a sua filha.
Quanto a Jorge Cavalcanti e à família Cavalcanti, Alice Almeida não tinha a menor intenção de permitir que Gabriela os reconhecesse.
Ao ouvir que poderia aprender a escrever, os olhos da pequena brilharam. Ela assentiu vigorosamente e se agachou.
Sua mãozinha pegou dois gravetos do chão. Ela entregou um para Alice Almeida e segurou o outro.
— Escrever. — A pequena Gabriela olhou para Alice Almeida com um brilho intenso, seus olhos cheios de sede de conhecimento.
Ao ver aquela cena, o ódio de Alice Almeida por Dona Benedita Gomes aumentou ainda mais.
Porque, na mente e na visão de Dona Benedita Gomes, ela nunca teve a intenção de deixar Gabriela estudar. De forma egoísta e maldosa, ela não queria gastar dinheiro com Gabriela e não queria que a menina adquirisse conhecimento.
Pois se ela aprendesse a ler e adquirisse noção das coisas, Gabriela ia ter as próprias ideias, e com isso a velha ia perder o controle sobre a menina.
O futuro daquela criança ficaria para sempre preso ao lado de Dona Benedita Gomes, cuidando dela na velhice. Talvez, no futuro, Dona Benedita Gomes ainda a casasse com qualquer homem dali, apenas para conseguir algum dote.
E essa criança ficaria presa nas montanhas pelo resto da vida. Sem educação, sem família, sem amigos, sem conhecimento do mundo.
A mão de Alice Almeida que segurava o graveto tremeu. Ela nem ousava pensar muito a respeito. Se não tivesse descoberto que Camila Cavalcanti havia trocado as crianças, se não tivesse encontrado Gabriela... Se tudo tivesse seguido o curso original, como seria? O que Gabriela teria que enfrentar?
Por isso, Dona Benedita Gomes era detestável, mas Camila Cavalcanti era ainda mais imperdoável!
Alice Almeida olhou para baixo, encontrando os olhos brilhantes da pequena, e assentiu.
— Certo, vamos escrever. Você ainda se lembra de quais palavras eu te ensinei da última vez?
A pequena Gabriela assentiu.
— Lembro.
Dito isso, ela pegou o graveto e começou a traçar as letras no chão, com muita seriedade.
Alice Almeida achava que, como já havia passado tanto tempo e a criança era tão pequena, sem ninguém para ensiná-la ou incentivá-la a revisar, ela esqueceria rapidamente.
Para sua surpresa, a criança lembrava de tudo e conseguiu escrever todas as palavras de memória.
Olhando para aquelas letras tortas, mas fáceis de reconhecer no chão, os olhos de Alice Almeida se encheram de surpresa.

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