Depois de dizer isso, ela lançou um olhar de ódio para Dona Benedita Gomes.
— Como você pode ser tão má?! Você nem parece humana!
Dona Benedita Gomes encarou Marta Gomes, com uma expressão momentânea de perplexidade no rosto.
— Marta, eu sou sua mãe, sua mãe biológica...
— E daí que é minha mãe biológica? Se você fez coisas ruins, tem que ser punida! Eu vou cortar relações com você. Vá com os policiais e aceite a sua reabilitação! — Marta Gomes estava desesperada para traçar uma linha entre ela e Dona Benedita Gomes. Naquele momento, dizia as palavras mais cruéis possíveis, com medo de ser implicada.
Ela tinha acabado de fugir da casa terrível da família do marido. Voltou para a casa da mãe só para viver bem.
Dona Benedita Gomes olhou para a insensível Marta Gomes e, finalmente, sentiu um frio profundo no fundo do coração.
No passado, Marta Gomes havia se casado em segredo e ido morar longe com o marido. Durante todos aqueles anos, nunca voltou para casa e nem sequer entrou em contato com a própria mãe.
Foi exatamente por isso que, ao saber da morte de seu filho, Sarnento, Dona Benedita Gomes sentiu que sua vida não tinha mais esperança. Não podia contar nem com o filho, nem com a filha.
Para ter alguém que cuidasse dela na velhice, ela havia trazido Gabriela.
Recentemente, Marta Gomes havia cometido algum erro na casa da família do marido e fugido de volta com a filha.
Ela pensou que, com a volta da filha biológica, teria novamente um amparo e não precisaria mais depender daquela bastarda da Gabriela.
Até mesmo entregara a maior parte do dinheiro que tinha nas mãos para Marta Gomes.
Tudo porque Marta Gomes dissera que elas eram mãe e filha de sangue, e que, no futuro, a única pessoa com quem ela poderia contar seria sua filha biológica.
Dona Benedita Gomes havia acreditado naquilo...
Naquele momento, olhando para Marta Gomes, que mal podia esperar para cortar os laços entre mãe e filha, Dona Benedita Gomes se arrependeu.
Foi então que um grito estridente ecoou:
— Vovó!

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