— Gabriela Gomes...
Ao ouvir o nome de Gabriela, a mente de Alice ficou em branco.
Era aquela menina coberta de poeira, que parecia um filhote de lobo. Aquela criança que não tinha medo do perigo e tinha ajudado ela a espantar o cachorro selvagem.
Aquela criança que só queria que ela comesse as frutas, e ficou parada à beira da estrada esperando por tanto tempo.
Aquela criança que se preocupou com a segurança dela, correndo tão desesperada que até perdeu o sapato.
Aquela criança com quem ela havia combinado de se encontrar no dia seguinte, mas a quem acabou faltando com a promessa...
Gabriela Gomes seria, por acaso, a sua filha?
Alice não sabia o que fazer; seus olhos carregavam uma infinidade de emoções.
Eram emoções demais, impossíveis de serem digeridas de uma só vez.
Sebastião assentiu.
— Sim. De acordo com os resultados da minha investigação, há uma probabilidade muito alta de que Gabriela seja a sua filha.
Ele queria pegar os documentos da investigação que tinha reunido naqueles dias para mostrar a Alice, mas ela ainda segurava a sua mão sem perceber.
Ele olhou para a própria mão e, por fim, optou por relatar verbalmente:
— Segundo a investigação, o nome verdadeiro de Sarnento era Geraldo Gomes, e sua família era originária da mesma região montanhosa onde Gabriela vive. Ele tinha uma esposa chamada Rosa Henriques. De acordo com informações de conhecidos, o casal não tinha filhos.
— A estrutura familiar de Sarnento era muito simples. O pai morreu cedo, restando apenas a mãe e uma irmã que se casou há muito tempo. E a mãe dele é, justamente, a avó de Gabriela. Ou seja, a pessoa que vocês chamam de Dona Benedita Gomes.

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