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Não Quero Mais Ser A Sra. Cavalcanti! romance Capítulo 248

Todo o estilo do Pavilhão do Luar combinava a arquitetura neo-chinesa com a decoração contemporânea. Ao entrar, a primeira coisa que chamou a atenção de Alice foi um piano no centro da sala tocando sozinho, localizado na posição de maior destaque.

As senhoras que participavam do chá estavam espalhadas pelo salão, algumas sentadas e outras em pé, conversando à vontade com a música envolvente ao fundo.

Ao entrar com Alice, Zélia atraiu instantaneamente os olhares e a atenção de todos os presentes.

Afinal, era a primeira vez que a mulher levava alguém consigo. Movidas pela curiosidade, todas pousaram seus olhares em Alice.

Dona Glória Gouveia, sendo muito articulada, foi a primeira a abrir a boca:

— Sra. Oliveira, quem é a pessoa ao seu lado? Não me parece familiar, acho que nunca a vi por aqui.

Com suas palavras, risos abafados encheram o elegante recinto.

Nesse círculo elitizado, as conexões, quer boas ou más, eram de conhecimento geral. Conhecia-se não apenas as posses, mas até as fisionomias das herdeiras de todas as famílias do grupo.

Era óbvio, então, que a pessoa com quem Zélia viera era uma desconhecida de todos.

Participar do Círculo das Damas era algo reservado a famílias com poder, cultura e prestígio de Alvorada. Apenas uma carteira cheia de dinheiro não era o bastante para se qualificar.

Se não fosse pela amizade entre o marido de Zélia e o marido de Yara, aliada ao fato de que o falecido Sr. Oliveira fora uma lenda do xadrez, uma pessoa com as bases culturais não muito elevadas de Zélia nunca teria permissão para adentrar o clube.

Outro fator que aumentava a hostilidade para com Zélia era a própria Yara. As duas não se suportavam, e Zélia raramente hesitava em rebater Yara, o que inflamava os ressentimentos. Como Yara era uma das integrantes principais do círculo, pertencia à antiga elite de Alvorada e, de quebra, era mãe de um excelente filho, o grupo preferia bajular Yara ao rejeitar Zélia.

Se Zélia e a família Oliveira já não contavam com grande respeito entre essas damas da alta sociedade, então a garota desconhecida que ela levara sequer devia merecer consideração, vinda sabe-se lá de onde.

Os risinhos chegaram aos ouvidos de Zélia e ela ficou imediatamente irritada, com a expressão fechada.

Ao olhar para a postura serena e a beleza inabalável de Alice, Zélia ergueu a cabeça:

— Ela é minha sobrinha, e é formidável. Muitos se esforçam arduamente só para ter um vislumbre dela e nunca conseguem, então vocês deviam se sentir abençoadas por tê-la aqui hoje.

A afirmação trouxe outra onda de risadas contidas no salão.

Não uma gargalhada aberta, mas zombarias silenciosas com as mãos tapando a boca.

Normalmente, esse tipo de risada continha muito mais sarcasmo e desprezo do que uma gargalhada barulhenta e indiscreta.

Quando viu Yara aproximar-se com uma expressão zangada, Dona Glória logo deduziu que Zélia a aborrecera mais uma vez. Sem demora, disparou farpas em direção a Zélia:

— Nossa, é mesmo? Bem, conhecemos todos os nomes importantes e ilustres aqui de Alvorada. Você pode nos revelar qual seria esse grande talento da sua sobrinha, que faria pessoas importantes batalharem só por um segundo com ela e não conseguirem?

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