— Júlio Cavalcanti!
De repente, Jorge esbravejou, fuzilando Júlio com um olhar irado: — Peça desculpas ao Samuel!
Júlio encolheu os ombros, assustado com o grito do pai. Suas pequenas narinas se dilatavam ininterruptamente de raiva. — Eu não vou pedir desculpas, eu não fiz nada de errado! Foi ele quem me empurrou! Eu não o empurrei! É ele quem deveria me pedir desculpas!
Samuel ergueu o rosto, soluçando: — Sou eu quem deve pedir desculpas... Eu não cuidei bem do nosso convidado... Eu o deixei irritado... Eu... buááá...
Ao ouvir o pedido de desculpas de Samuel, até mesmo Yara Inácio sentiu um aperto no coração. Ela olhou para Júlio: — Júlio, quando fazemos algo errado, precisamos pedir desculpas.
— É verdade, Júlio, admitir os erros é o que faz de você um bom menino. — Por mais que Camila relutasse, os fatos estavam bem diante dos seus olhos. A outra criança já estava se sentindo tão injustiçada que, não importava o quanto ela quisesse mimar o sobrinho, não podia simplesmente acobertá-lo em público.
Afinal de contas, aquele era o dia em que toda a família havia ido à casa dos Saraiva para oficializar o pedido de casamento.
Vendo que tanto a avó quanto a tia queriam que ele se desculpasse, Júlio sentiu seu pequeno coração se encher de indignação e raiva. — Eu não vou pedir desculpas!
Ele marchou furioso na direção de Samuel. — Por que você está mentindo?! Por que não conta a verdade?! Fala logo, fala!
— Júlio Cavalcanti! — Jorge perdeu completamente a paciência. Ele agarrou o braço do filho de supetão, puxando aquele corpinho para perto de si, e ergueu a mão, desferindo um tapa forte nas costas do menino.
Era a primeira vez que Jorge batia em Júlio, e também a primeira vez que o garoto apanhava.
Embora o golpe tivesse atingido apenas suas costas, para Júlio, foi como se o mundo tivesse desabado.
Júlio ficou atônito por um instante antes de desatar a chorar aos berros.
— Ai, Jorge! — Camila rapidamente puxou Júlio para seus braços, protegendo-o. — Se ele errou, era só conversar! Por que bater no menino?!
O Sr. Saraiva, que até então havia permanecido em silêncio, finalmente se pronunciou: — Logo seremos todos uma só família. Não há necessidade de estragarmos o clima por causa de uma bobagem dessas.
Como o Sr. Saraiva já havia se manifestado, Henrique Cavalcanti concordou prontamente: — A culpa é nossa, por não termos educado bem a criança.
— Ah, é só uma criança, vocês terão muito tempo para ensiná-lo no futuro. — O Sr. Saraiva acenou com a mão de forma magnânima, indicando que o assunto estava encerrado. — Venham, consogros, vamos entrar. A comida já está quase pronta.
Dona Sônia levou Samuel para dentro primeiro, a fim de limpá-lo e aplicar um curativo. Camila estava prestes a pegar Júlio no colo, mas o menino se esquivou.
Soluçando a cada palavra, ele disse: — Eu não quero o colo da titia... Eu quero o colo da Tia Sabrina!
A titia não havia acreditado nele agorinha mesmo, e ainda tinha mandado ele pedir desculpas.
Apenas a Tia Sabrina o havia defendido. Daquele dia em diante, ele só iria gostar dela.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Não Quero Mais Ser A Sra. Cavalcanti!