Entrar Via

Não Quero Mais Ser A Sra. Cavalcanti! romance Capítulo 192

Ao abrir a caixa, a primeira coisa que lhe saltou aos olhos foi uma pequena pilha de livros de registros e jogadas.

Hugo observou os exemplares.

— São os Manuscritos de Xadrez Ancestral da coleção do meu pai.

Alice pegou cada um com cuidado, folheou-os de leve e depois os empilhou novamente com muito zelo.

— Nossa, não é o Tabuleiro e Peças de Jade Imperial do seu pai?! — exclamou Zélia, surpresa.

Alice voltou a olhar para o fundo da caixa. Os manuscritos já eram um presente de imenso valor. Ela não esperava encontrar um conjunto completo feito inteiramente de jade logo abaixo deles.

— É isso mesmo! — confirmou Hugo. — Depois que meu pai faleceu, procurei por um tempo e nunca encontrei. Achei que ele tivesse dado de presente para alguém. Nunca imaginei que estaria aqui.

Alice tocou o tabuleiro com delicadeza. O jade era translúcido e frio nas mãos, sem dúvida uma pedra de altíssima qualidade. Havia também duas caixas repletas de peças polidas e gélidas.

— Não posso aceitar. É valioso demais. — Alice não esperava que o Sr. Oliveira lhe deixasse algo tão precioso. Sentia-se indigna de tamanho presente.

Mas Hugo era um homem de mente aberta.

— Alice, se meu pai deixou isso para você, então é seu. Pode ficar tranquila, a Zélia e eu não vamos interferir. Para nós, esta caixa sempre foi sua. Estávamos apenas guardando para você, e agora ela voltou à dona.

Zélia concordou enfaticamente.

— Exatamente! Nem eu nem o seu Tio Hugo temos talento para o xadrez. Deixar algo tão maravilhoso conosco seria o verdadeiro desperdício. Fique com ele, afinal, esse foi o último desejo do mestre.

— Mas... — Era realmente algo de muito valor.

— Sem "mas"! — Hugo acenou com a mão, e então apontou para dentro da caixa. — Olha lá, tem uma carta também.

Alice pegou o envelope na mesma hora. Estava endereçado com a caligrafia forte e marcante do Sr. Oliveira.

Para a minha querida Alice.

Apenas ao ler essas palavras, antes mesmo de ver o conteúdo, os olhos de Alice marejaram.

Ela abriu a carta. O texto era curto, mas cada palavra transbordava tudo o que o Sr. Oliveira queria lhe dizer.

Espero que esta carta a encontre bem.

Zélia lhe ofereceu um lenço.

— Pode secar as lágrimas, querida.

— Obrigada, Tia Zélia. — respondeu Alice com a voz abafada. Mal terminou de falar, novas lágrimas escorreram.

Zélia ajudou a enxugá-las.

— Pronto, não chore mais, senão vai estragar esse rosto lindo.

Ela não era boa em consolar os outros, mas sentia um carinho imenso por aquela garota. Mesmo sem saber pelo que Alice havia passado ou que dificuldades a prendiam.

Mas se ela era tão amada por seu teimoso sogro, que nunca a esquecera, só podia ser uma pessoa maravilhosa.

Depois de mais alguns minutos, Alice se recompôs por completo. Com os olhos vermelhos, olhou para Hugo.

— Tio Hugo... Eu aceitarei essas coisas, então.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Não Quero Mais Ser A Sra. Cavalcanti!