Alice Almeida foi ao supermercado, voltou para casa, preparou alguns pratos e, depois de embalá-los, seguiu para a casa de repouso.
Seu primeiro objetivo era visitar o Sr. Alberto Almeida antes do almoço.
O segundo era questionar Alberto sobre a situação do Laboratório Associado Magna-Almeida e por que Sebastião Santos havia se tornado o investidor principal.
Embora o Dr. Lima estivesse gerenciando o instituto de pesquisa, um projeto da magnitude do laboratório associado jamais sairia do papel sem a aprovação do Sr. Alberto.
Especialmente com alguém como Sebastião envolvido.
Alice não achava que seu mentor ou o colega de profissão quisessem prejudicá-la. Se esconderam isso dela, certamente tinham seus motivos. Portanto, ela precisava de respostas claras.
Porém, dessa vez, ela foi barrada na entrada da casa de repouso.
O porteiro olhou para ela, constrangido.
— Sinto muito, Srta. Almeida. O Sr. Alberto disse que não quer recebê-la hoje. É melhor a senhora voltar outra hora...
Por dentro, o funcionário estava confuso.
Sempre que ouvia o nome de Alice, o acadêmico ordenava que a deixassem entrar imediatamente, quase brigando se o porteiro não abrisse o portão rápido o suficiente.
O que será que tinha acontecido hoje?
Alice estreitou os olhos, percebendo na hora que seu mentor estava fugindo dela.
Naturalmente, não dificultou as coisas para o porteiro e apenas entregou as marmitas.
— Por favor, entregue isso ao professor Alberto por mim.
Sem dizer mais nada, ela virou-se e foi embora da casa de repouso.
Dentro do quarto, o Sr. Alberto encarava a porta, tenso. Quando a maçaneta girou, seus olhos se arregalaram.
Ao ver que era o enfermeiro, relaxou instantaneamente.
O enfermeiro não pôde deixar de rir da reação do idoso.
Alberto sentou-se e levou um bocado à boca. O sabor rico e reconfortante tomou conta do seu paladar.
Enquanto o enfermeiro aguardava um elogio, o idoso soltou os talheres com uma expressão melancólica.
— Aquela menina não sabia cozinhar nada antes...
Sem entender, o enfermeiro pensou que Alberto não queria comer e fez menção de retirar a bandeja, mas levou um tapinha na mão.
— O que está fazendo? Eu ainda vou comer! — Esbravejou Alberto, antes de começar a devorar a comida.
O enfermeiro piscou, perplexo. Era a primeira vez que via o idoso comer com tanto apetite.
Naquela mesma tarde, após retornar para casa, Alice recebeu uma ligação de Hugo Oliveira. Eles marcaram de se ver na manhã seguinte.
A princípio, Hugo queria levá-la ao Clube de Xadrez de Alvorada, mas, ao perceber que Alice tinha vontade de rever o pequeno pátio onde o pai dele a ensinava a jogar, ele mudou de ideia e marcou o encontro lá.
O pátio, na verdade, ficava na antiga casa da família Oliveira. Desde que o Sr. Oliveira voltou para o interior após se aposentar, a residência estava vazia.

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